Aos 53 anos, Banda de Ipanema entoa marchinhas politicamente incorretas

(Foto: Mayara Vieira)

Enquanto muitos blocos carnavalescos do eixo Rio-São Paulo resolveram este ano abolir de seus desfiles as marchinhas consideradas politicamente incorretas, a Banda de Ipanema prefere manter sua tradição. Na tarde deste sábado (11), ela tocou as músicas marcadas por letras apontadas como machistas, racistas ou misóginas em seu primeiro desfile no Carnaval carioca de 2017, na avenida Vieira Souto, em Ipanema, na zona sul da cidade.

A multidão que acompanhou o bloco cantou e dançou as marchinhas tradicionais, como “Índio Quer Apito”, “Maria Sapatão”, “O Teu Cabelo Não Nega” — do verso “Mas como a cor não pega, mulata”, considerado o mais ofensivo — e “Cabeleira do Zezé”. “São as marchinhas que as pessoas conhecem e gostam. Não tem polêmica nenhuma. É Carnaval!”, defendeu a pensionista Maria Eunice da Silva Jitahy, de 78 anos, que há 30 frequenta os desfiles da Banda de Ipanema, considerada Patrimônio Cultural Carioca pela Prefeitura do Rio desde 2004.

Clássicos como “Carinhoso”, de Ary Barroso, “Abre Alas”, de Chiquinha Gonzaga, e “Cidade Maravilhosa”, de André Filho para o Carnaval de 1935, também estiveram no repertório, assim como sambas-enredo de sucesso do Carnaval carioca.

O desfile deste ano da banda homenageou os centenários de nascimento de Antonio Callado, Chacrinha, Dalva de Oliveira, David Nasser, João Saldanha e Severino Araújo. Também foram lembrados os 120 anos de Pixinguinha. Uma equipe do filme sobre o mestre do sopro, dirigido por Denise Saraceni, gravou cenas da Banda para a fita durante o desfile.

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