Jander Vieira entrevista

O entrevistado de hoje é o empresário Antonio Barateiro Silva, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, a Fieam, entidade integrante do Sistema Confederação Nacional da Indústria. Dono de um incrível senso de humor, Antonio é uma figura muito respeitada, querida em todas as searas da cidade, e um agregador nato de valores para o crescimento empresarial do Amazonas. Verdadeiro defensor da qualidade e incansável quando o assunto é captação de recursos para o desenvolvimento do Estado, é amante da Cultura parintinense – em especial torcedor do Diamante Negro –, patriarca dedicado e amigo fiel. Fato que deixa o Blog lisonjeado. Captura de Tela 2015-03-22 às 22.24.21

 

Conte-nos como foi sua trajetória para chegar a se tornar um empresário de sucesso.

Sempre pautei minha vida por objetivos e prioridades. Respeitando direitos dos outros e procurando conservar o respeito. Se você exerce sua profissão de forma justa e honesta, tem muita chance de conseguir sucesso naquilo que você decidiu realizar.

 

Como o senhor conseguiu sempre manter um excelente relacionamento entre suas empresas e os empregados? Qual o segredo para cultivar essa parceria saudável?

Não há segredo. O que existe é um relacionamento de respeito, com cobranças, é verdade, mas sem injustiças. Pelo menos é o que procuramos fazer e isso se deve não a mim, mas é um princípio adotado pelo grupo empresarial ao qual pertenço.

 

Os escândalos do Mensalão e da Petrobrás afetaram o Polo Industrial de Manaus de alguma forma?

Não creio. O que nos afeta são as medidas de caráter fiscal e a indefinição da nomeação do Superintendente da SUFRAMA. Quanto à definição do titular desse órgão, parece que brevemente será solucionada.

 

Em fevereiro o senhor foi recebido pelo Ministro Armando Monteiro Neto, do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio). Na ocasião, foram tratados os temas sobre logística e infraestrutura da Zona Franca de Manaus. O Blog gostaria de saber quais são os principais problemas enfrentados pelas indústrias do PIM quanto ao assunto.

Continua sendo o principal problema sem dúvida a melhoria da infraestrutura de transporte, energia e comunicação. Também precisa ser melhorado e complementado o sistema viário do Distrito Industrial, bem como sua manutenção permanente.

 

A Suframa vem desempenhando o seu papel a contento, na perspectiva da indústria e na visão da Fieam? O que poderia melhorar?

A SUFRAMA é um órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, portanto tem que seguir as orientações e diretrizes que lhe são dadas. O que nós devemos reivindicar é exatamente sua autonomia como órgão de desenvolvimento regional. Autonomia em termos. Logicamente se for contra as determinações do MDIC, terá seu Superintendente trocado. Portanto, o que deve melhorar é a influência política no bom sentido, sem conotações partidárias, ou seja, devemos nos unir, classe política, entidades de classe e a sociedade civil organizada, para reivindicar o que achamos ser essencial para o nosso desenvolvimento socioeconômico.

 

Qual o relacionamento da Fieam com os três poderes no Amazonas (Executivo, Legislativo e Judiciário)?

Acredito que é o melhor possível. Sempre temos participado com contribuições e até com solicitações reivindicadas por nossos associados, exercendo plenamente o que é oferecido pelo regime democrático.

 

As indústrias de Manaus possuem várias ações judiciais no âmbito federal e muitos advogados amigos do blog reclamam da falta de um Tribunal Regional Federal para julgar os recursos daqui. Qual a visão da Federação sobre o assunto? É importante a instalação deste Tribunal Federal? Alguma vez esse tema foi levado ao conhecimento e debate na Fieam?

Claro que é importante. Temas como esse sempre são debatidos na Fieam. Temos interesse sim na instalação de um Tribunal Federal. A capacidade atual do Judiciário Federal não tem dado conta da demanda processual. Somos totalmente favoráveis a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 544/2002, que cria os Tribunais Regionais Federais das 6ª, 7ª, 8ª e 9ª Regiões, com sede em Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Manaus. É direito do cidadão uma boa assistência de saúde, educação e segurança, assim como a prestação jurisdicional célere e efetiva. A TRF 9ª Região atenderia Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, facilitando a vida de todos.

 

O governo federal, ao longo dos anos, tem verdadeiramente respeitado o decreto de criou a Zona Franca de Manaus? Por que razão várias vezes questões tributárias têm sido levadas ao Supremo Tribunal Federal?

No que se refere ao Executivo Federal, podemos dizer que em parte, sim, embora algumas normas e procedimentos adotados por algum órgão firam leis e decretos vigentes, como é o caso de um PPB ser peça fundamental para a implantação de indústrias, quando os únicos nichos de negócios que não podem ser beneficiados com o elenco de incentivos da ZFM sejam: Bebidas alcoólicas, armas e munições, fumo, automóveis de passageiros e produtos de perfumaria. As várias questões tributarias que têm sido levadas ao STF, são provocadas pelo desrespeito de outros estados as leis vigentes no país, concedendo incentivos ilegais, a chamada “guerra fiscal”.

 

Existem portos alfandegados em quantidade suficiente para atender a demanda do PIM no estado? O que poderia ser feito para melhorar?

Não. Não existe. Poderia se criar novos portos dando-lhes uma estrutura adequada, e também adequando os existentes com servidores dos órgãos controladores em número suficiente.

 

O senhor é a favor do financiamento de campanhas eleitorais pelas indústrias ou prefere o financiamento público?

Particularmente sou a favor do financiamento público, com regras claras e rigorosas quanto ao seu uso.

 

Quem gera mais renda e emprego para o Amazonas? A indústria ou o comércio? Por que?

Olha essa é uma questão de pouca importância. Ambos os setores são importantes e necessários. O Estado do Amazonas sem o Polo Industrial não apresentaria um resultado de geração de emprego e renda, na indústria e no comércio que hoje ostenta. Um setor complementa o outro e graças a Deus convivemos irmanados, sempre defendendo os interesses do Estado como um todo. Para isso formamos a Ação Empresarial que sempre tem interferido e se manifestado nos assuntos mais importantes do Estado do Amazonas.

 

O que o presidente e o vovô Antônio têm em comum?

Tudo, não há separação. Sou um homem dedicado a família, pois considero ela como base no êxito de qualquer coisa. No meu trabalho, procuro agir da mesma maneira. Gosto de brincar com os meus pares e colaboradores, da mesma forma procedo no ambiente familiar. Para ter respeito dos outros não precisamos ser carrancudos. Na hora do sério, somos sérios.

 

O senhor é inquestionavelmente querido por onde passa. Ao longo desses anos, criou muitas inimizades também?

Inevitavelmente inimizades acontecem. Quando você desempenha alguma posição de influência, de comando ou de articulação, você contraria interesses.

 

O que entende por fé?

Fé é acreditar. Inclusive quando as probabilidades são adversas. Por exemplo: acredito que o Brasil vencerá as dificuldades socioeconômicas e que por mais que passemos apertos necessários em 2015 teremos um 2016, muito melhor. Acredito em Deus e no seu perdão aos nossos pecados.

 

Na sua opinião, há alguma deficiência nos auxílios recebidos pela Fieam?

Sinceramente não entendi a pergunta. Em todo caso posso dizer que na Fieam contamos com o auxílio dos nossos colaboradores para alcançarmos nossos objetivos. Contamos com o auxílio também da Confederação Nacional da Indústria, que tem nos prestado o devido apoio em nossas demandas.

 

O senhor recebeu em 2014 o título de cidadão parintinense, qual foi a emoção?

Indescritível. Isso prova que a intervenção cirúrgica que sofri foi de pleno êxito, pois não tive nenhum problema de saúde. Parintins me adotou, mas eu já havia lhe adotado há muito tempo.

 

Diukerê, Ephigênio Salles ou Cidade Maravilhosa?

Parada dura. Diria que Diukerê e Ephigênio Salles estão empatadas.
Quando entra em casa consegue deixar o trabalho do lado de fora ou acaba trabalhando também?

É difícil deixar o trabalho de fora, ainda mais com a invenção do celular. Procuro me desligar, porque senão Dona Norma pega no meu pé.

 

O que o senhor entende do atual quadro vivido pelos brasileiros?

Entendo que esse é um processo próprio de um Regime Democrático, em que todos têm o direito de se manifestar e expressar suas preferências sem violências. Porém devemos sempre manter em primeiro lugar a obediência às leis confiando nas instituições responsáveis pela ordem e pelo progresso do nosso país.

 

Dinheiro é liberdade?

Nem sempre, tem muita gente que é escrava dele.

 

Sente saudade do que?

Da Manaus de antigamente, quando se dormia com a porta encostada e a janela aberta.

 

Caviar ou pupunha?

Não vou negar que caviar é gostoso. Mas, a pupunha tem o seu valor.

 

Uma avaliação sobre o Blog?

Muito bom, você está de parabéns.

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