A derrota do relator Onyx Lorenzoni (DEM-RS) foi acachapante. Ele viu a medida que considerava a sua preferida ser atropelada no plenário (o direito de fazer delação até a sentença). Foi rejeitada por 392 votos a 36 contra. Até mesmo seu partido, o Democratas, o abandonou. Nesse caso, o líder do partido DEM orientou votação contrária, e, num discurso duro, o líder Pauderney Avelino (AM), comparou a iniciativa a uma prática nazista.
“Se aprovado, isso transformaria o Brasil num Estado de exceção, numa Alemanha nazista, numa Gestapo [polícia secreta do 3º Reich]”, disse Avelino.
Após a derrota e o fim da sessão, às 4h30, Lorenzoni criticou as mudanças em seu relatório e disse que, “movidos por vingança”, os parlamentares criaram uma crise institucional.
“Lamentavelmente o que a gente viu foi uma desconfiguração completa do relatório, e trouxeram essa famigerada situação de ameaça, de cala a boca, de agressão ao trabalho dos investigadores brasileiros”, disse o deputado. “A Câmara perdeu uma excelente oportunidade de prestar um serviço ao Brasil e, movidos por sede de vingança contra o Ministério Público e o Judiciário, começaram uma crise institucional que deve se agravar”.
Ao final da sessão, Rodrigo Maia disse apenas que o resultado foi democrático. “Foi um resultado democrático do plenário”. Já cansados, quase às 4h da madrugada desta quarta-feira, parlamentares chegaram a cantar parabéns aos deputados aniversariantes, Luiza Erundina (PSOL-SP) e Arnaldo Jordy (PPS-PA).









