quarta-feira, 18 de março de 2026
TCE

Livro que aborda discriminação do homem pela Lei Maria da Penha gera polêmica

Um estudo acadêmico que virou livro está causando grande polêmica nas redes sociais, sobretudo entre feministas e defensores dos direitos humanos. Intitulada A Discriminação do Gênero-Homem no Brasil em Face à Lei Maria da Penha, a publicação é de autoria do juiz Gilvan Macêdo dos Santos e vem ilustrada com desenho de um homem sendo agredido por uma mulher. A obra seria lançada ontem, no Palácio da Justiça, e hoje, na Livraria Praça de Casa Forte, mas os dois eventos foram suspensos após inúmeras críticas, ameaça de protestos e nota de repúdio assinada por vários movimentos sociais, divulgada nas redes.

Na nota, os movimentos salientam que a violência contra a mulher no Estado atingiu níveis catastróficos (são 31 mil casos de violência doméstica e 1,9 mil estupros de janeiro a novembro) e que a “histórica resistência de Maria da Penha e de tantas outras mulheres sujeitas à violência doméstica e familiar não pode ser reduzida a uma mera discussão teórica, sem qualquer conteúdo e capacidade de se inserir na realidade do debate”.

O documento critica a “cumplicidade” do judiciário com a manutenção da situação de vulnerabilidade da mulher. Diz que o livro traz em seu título o esvaziamento da Lei Maria da Penha – um dos mais importantes avanços no combate à violência doméstica e familiar. E afirma que o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) receber tal lançamento “é ter em suas mãos o sangue de Josefa Severina da Silva Filha, Daiane Reis Mota e tantas outras mulheres assassinadas por seus parceiros sexuais”.

Representantes de vários movimentos – como o Fórum de Mulheres de Pernambuco, o SOS Corpo e a Marcha das Mulheres – foram procurados pelo JC, na noite desta terça, sem sucesso. Por isso, não foi possível esclarecer se a crítica recai sobre algum conteúdo específico do livro. O autor afirmou que estaria disponível apenas hoje para falar do assunto.

ESTUDO

O TJPE informou que o livro “se trata de um estudo acadêmico aprovado como dissertação de mestrado em Portugal” e que o lançamento foi cancelado “em razão de agenda”. Ressaltou, ainda, que “é comum a recepção de apresentações de trabalhos de personalidades do mundo acadêmico ou jurídico no Palácio da Justiça”. Já a livraria mandou nota informando que “não abraça nenhuma causa específica”, pois é apenas um espaço de entretenimento. Mas que “devido ao movimento social” em relação ao lançamento “achou por bem cancelar o evento”. (UOL)