sexta-feira, 8 de maio de 2026
TCE

Grupo Queiroz se antecipa à vazante e fortalece abastecimento no food service do Amazonas

Foto: divulgação

O setor de varejo alimentar no Amazonas já iniciou uma corrida contra o tempo para minimizar os impactos de uma possível vazante severa dos rios em 2026. O alerta vem da Defesa Civil do Amazonas, que realiza acompanhamento contínuo dos fenômenos climáticos na região. A entidade confirmou, com base em dados de organismos internacionais, a predominância do fenômeno El Niño já a partir de maio, cenário que pode antecipar e intensificar a descida dos níveis dos rios no estado.

A realidade amazônica impõe desafios únicos. Tanto a cheia quanto a vazante afetam diretamente a logística e o abastecimento dos negócios de alimentação. Como boa parte dos insumos circula por vias fluviais e rodoviárias, alterações no nível dos rios costumam provocar atrasos, aumento no valor do frete e dificuldade na regularidade do fornecimento.

Diante desse cenário, empresas do setor já reforçam o planejamento. O Grupo Queiroz, que atua diretamente com empreendedores do food service (delivery, restaurantes, lanchonetes, bares, food trucks e padarias), intensificou sua preparação com meses de antecedência. Entre as principais medidas estão o reforço de estoques estratégicos, ampliação da rede de fornecedores e ajustes logísticos para reduzir riscos de ruptura.

Segundo o diretor da empresa, Anderson Queiroz, o planejamento antecipado é essencial para atravessar o período com menor impacto. “A vazante altera completamente a dinâmica de abastecimento no Amazonas. Por isso, começamos a nos preparar com antecedência, reforçando estoques de itens essenciais e trabalhando com fornecedores alternativos para garantir a continuidade das operações”, afirma.

Entre os principais desafios durante a vazante estão o aumento no tempo de entrega e dos custos logísticos decorrentes da dificuldade de acesso. Com a navegação comprometida, rotas fluviais podem ser reduzidas ou até interrompidas. Esse cenário impacta diretamente o estoque das empresas, que precisam operar com maior previsibilidade e margem de segurança.

No caso do Grupo Queiroz, há ainda um desafio adicional, que é o de manter o suporte aos empreendedores do interior do estado, onde o acesso é ainda mais dependente das condições dos rios.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-AM) também já atua na preparação do setor de food service, oferecendo orientação aos empresários sobre gestão de compras, planejamento de estoque e estratégias para enfrentar o período.

De acordo com o presidente da entidade, Franco Andrade, a adaptação tem sido uma constante entre os empreendedores. “Os empresários vêm aprendendo a se planejar melhor, reforçando estoques, diversificando fornecedores e buscando alternativas locais. Também é comum adaptar temporariamente os cardápios para manter a qualidade sem depender exclusivamente de insumos de fora”, explica.

Ele ressalta ainda que os pequenos negócios são os mais vulneráveis nesse contexto. “Os pequenos empreendedores sentem mais, porque têm menor capital de giro e menos capacidade de estocar. Por isso, o apoio à gestão e o fortalecimento do empreendedor local são fundamentais nesses momentos”, frisa.

A entidade mantém diálogo com autoridades e outras instituições para acompanhar a evolução do cenário e defender medidas que reduzam os impactos econômicos da vazante.