Dermatologista de Manaus diz que ‘biquíni de fita’ agrava doenças da pele

Com efeitos estéticos imediatos, a ‘técnica’ começou nas cabines de bronzeamento artificial, hoje proibidas, com o uso de esparadrapo e fita crepe, mas se popularizou mesmo com a fita isolante, nas lajes de um bairro do Rio de Janeiro, e caiu nas graças até de mulheres com maior poder aquisitivo (fotos: reprodução/internet)

O bronzeamento com biquíni de fita adesiva estourou no Brasil em 2016 e, desde então, vem ganhando adeptas em todo o país. No fim do ano passado, com o lançamento do clip ‘Vai Malandra’, da cantora Anitta, a moda pegou ainda mais e promete ser o hit do verão 2018. O fato preocupa os dermatologistas, principalmente pelos riscos que representa à saúde feminina, tanto a curto como a médio e longo prazos.

“Além de dermatites, a ‘moda’ pode levar a doenças mais graves, como queimaduras de segundo grau, insolação e até câncer da pele”, alerta o dermatologista Ilner Souza, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e das academias americana e europeia de dermatologia. “Se expor ao sol é sempre um risco, mas, se a mulher considera importante para a beleza, então que o faça com muito cuidado, pois as consequências podem ser traumáticas”, alerta.

Em todas as classes

Com efeitos estéticos imediatos, a ‘técnica’ começou nas cabines de bronzeamento artificial, hoje proibidas, com o uso de esparadrapo e fita crepe, mas se popularizou mesmo com a fita isolante, nas lajes de um bairro do Rio de Janeiro, e caiu nas graças até de mulheres com maior poder aquisitivo. Além da diva do funk brasileiro, outras estrelas nacionais, como Bruna Marquezine e Simone, da dupla com Simária, também já experimentaram o ‘invento’.

“Tanto o esparadrapo como a fita isolante têm ‘cola’ e esta, em contato com a pele, pode fazer uma dermatite de contato primária (por ação química do produto) ou alérgica, o que se caracteriza pelo surgimento de coceira, bolinhas e descamação na área onde houve o contato com a cola. Além disso, na hora da remoção desses adesivos, pode haver microtraumas, ou seja, feridinhas e cortes que são decorrentes do descolamento em áreas muito sensíveis, como é o caso da mama”, explica o especialista.

Doutor Ilner Souza também chama a atenção para a concentração de produtos que aumentam a sensibilidade ao bronzeamento nas áreas da pele onde estão as fitas adesivas, o que pode ocasionar queimaduras até de segundo grau (com bolhas). O tempo de exposição ao sol também influencia, já que, na ânsia do ‘bronze perfeito’, nem todas seguem a recomendação do tempo máximo de meia hora, entre as 6h e as 10h, ou após ás 16h.

Principais danos

“A exposição excessiva ao sol tem tanto danos imediatos mais simples, como a queimadora de primeiro grau, em que a pele fica vermelha e ardida, como também mais graves, como é o caso da insolação, onde há mal-estar geral, febre e desidratação, o que pode por inclusive a pessoa em risco de morte”, comenta.

O dermatologista destaca ainda a existência de lesões dermatológicas pré-existentes que podem ser agravadas, como os melasmas (manchas), lúpus (inflamação crônica) e outras que são fotoinduzidas, ou induzidas pela luz.

Já como danos de médio e longo prazos, ele cita o envelhecimento precoce da pele, com o aparecimento de rugas e manchinhas, e o câncer da pele, tanto melanoma (pinta preta que pode levar à morte por metástase), como os não melanomas, em especial os carcinomas basocelular e o espinoceluar.

“O recomendado é não se expor ao sol, mas, para quem não abre mão do bronzeado, a dica é tomá-lo por períodos de 15 a 20 minutos, a longo prazo, fora dos horários de grande radiação ultravioleta e utilizando filtro solar, sempre”.

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