sexta-feira, 23 de outubro de 2026
TCE

Fumaça das queimadas na Amazônia ameaça a saúde dos animais de estimação

Em Manaus, partículas finas atingiram 490,1 µg/m³ em outubro, pior índice de qualidade do ar da capital em 2026 até então. A exposição pode causar irritações, problemas respiratórios e agravar doenças preexistentes

Foto: divulgação/Martha Falcão Wyden

A fumaça das queimadas não ameaça apenas o ambiente e a saúde humana. Cães, gatos, aves e outros animais de estimação também sofrem os efeitos da poluição. Na madrugada de 8 de outubro, um ponto de monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou em Manaus concentração de partículas finas de 490,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³) — o pior índice de qualidade do ar da capital em 2026 até aquela data. A fumaça pode alcançar diferentes áreas da cidade, inclusive longe dos focos de incêndio.

As partículas microscópicas, como as PM2,5, penetram profundamente no sistema respiratório e podem irritar os olhos e as vias aéreas. Entre os sinais de exposição estão lacrimejamento, espirros, secreção nasal, tosse, cansaço e desconforto para respirar. Em casos mais graves, a poluição pode agravar doenças cardíacas ou respiratórias. Os riscos variam conforme a espécie, a intensidade e o tempo de exposição e as condições de saúde do animal. Filhotes, idosos, animais com doenças preexistentes e cães de focinho curto exigem atenção redobrada.

Como proteger os animais

Em períodos de fumaça intensa ou alertas de baixa qualidade do ar, mantenha os animais em ambientes protegidos e frescos. Feche portas e janelas quando isso não causar superaquecimento; se possível, use ar-condicionado ou purificador com filtro adequado. Reduza passeios e exercícios ao ar livre, faça saídas curtas para as necessidades fisiológicas e ofereça água fresca continuamente. Evite fumaça de cigarros, incensos, velas e queima de materiais dentro de casa. Aves e animais mantidos em recintos também precisam de proteção contra o ar contaminado. Não coloque máscaras nem ofereça medicamentos por conta própria.

Quando procurar atendimento veterinário

Tosse persistente, irritação ocular intensa, chiado, fraqueza ou mudanças na respiração exigem orientação veterinária. Dificuldade para respirar, esforço respiratório, desmaio, fraqueza intensa ou mucosas azuladas ou acinzentadas são emergências. Em gatos, respirar de boca aberta também é sinal de alerta. Se houver suspeita de exposição intensa, leve o animal para um local com ar mais limpo e procure atendimento.

O episódio registrado em Manaus reforça a importância de acompanhar os boletins oficiais de qualidade do ar e adaptar a rotina conforme as condições ambientais, que podem mudar rapidamente. Reduzir a exposição à fumaça, manter os animais em locais limpos e frescos e reconhecer os sinais de alerta são medidas simples que ajudam a proteger a saúde e o bem-estar dos animais de estimação.

Lucyane Mendes Silva, Biomédica, Doutora em Medicina Tropical e Pró-Reitora de Pesquisa, Extensão e Internacionalização do Centro Universitário Martha Falcão Wyden.