
Celebrado nesta segunda-feira (18), o Dia Internacional dos Museus reforça a importância dessas instituições como espaços vivos de memória, educação e transformação social. Mais do que ambientes de preservação histórica, os museus atuam como pontes entre diferentes tempos, territórios e identidades culturais, especialmente na Amazônia, onde a diversidade de narrativas e saberes compõe a essência do território.
Para a arquiteta e urbanista Melissa Toledo, que atuou como gerente de museus entre 2018 e 2022, incluindo passagem pelo Museu do Homem do Norte, o papel dessas instituições vai muito além da conservação de acervos.
“Compreendo o museu como parte do patrimônio cultural e como um organismo cultural vivo. Ele não é apenas um edifício ou um espaço de guarda, mas um lugar que dialoga diretamente com a cidade, com o território e com as identidades amazônicas”, afirma Melissa.
Segundo a arquiteta, em Manaus, os museus ganham ainda mais relevância por estarem inseridos em uma paisagem urbana marcada por contrastes e atravessada por rios, florestas e diferentes camadas históricas. “Nesse contexto, o museu deixa de ser apenas um espaço de preservação e passa a ser um lugar de encontro, reflexão e construção de narrativas sobre o território amazônico e suas diversidades culturais”, destaca.
Melissa ressalta ainda que os museus amazonenses exercem um papel fundamental na valorização das culturas indígenas, ribeirinhas, caboclas e urbanas, preservando saberes que muitas vezes sobrevivem por meio da oralidade e das práticas cotidianas.
“No Amazonas, os museus ajudam a manter viva a memória coletiva e funcionam como mediadores entre tradição e contemporaneidade, entre o local e o global. São espaços que fortalecem a identidade cultural e promovem pertencimento”, explica.
Do ponto de vista da arquitetura e do urbanismo, a especialista destaca que os museus também devem ser entendidos como infraestruturas culturais estratégicas para o desenvolvimento das cidades.
“Os equipamentos culturais fortalecem o tecido urbano, promovem acesso à cultura, estimulam o turismo e aproximam comunidades. Em uma região marcada por grandes distâncias geográficas e sociais, o museu cumpre um papel simbólico importante de conexão entre diferentes narrativas”, observa.
Para Melissa Toledo, o Dia Internacional dos Museus também serve como um chamado para ampliar políticas públicas voltadas à preservação patrimonial, investimentos em acervos e valorização dos profissionais e instituições culturais da Amazônia.
“Celebrar os museus é reconhecer sua importância para a construção da cidadania cultural. Precisamos fortalecer essas instituições que mantêm viva a memória dos povos da floresta e das cidades amazônicas”, enfatiza.
A arquiteta defende ainda que a visita aos museus deve fazer parte da rotina dos moradores, e não apenas do turismo. “Quando o museu é visto apenas como destino ocasional, perde-se sua dimensão mais rica, que é ser um espaço de pertencimento. Visitar museus é um gesto de cidadania cultural, de valorização das narrativas locais e da memória coletiva que sustenta a identidade amazônica”, conclui.









