quarta-feira, 25 de março de 2026
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Talento da Amazônia no topo da música mundial: amazonense celebra chegada de seu Grammy

Fotos: divulgação

A presença brasileira no cenário musical internacional ganhou mais um capítulo de destaque com a conquista do Grammy de Álbum do Ano pelo disco Cowboy Carter, da cantora Beyoncé. Entre os profissionais que contribuíram para o projeto está o engenheiro de som amazonense Henrique Andrade, que celebrou a chegada do troféu como um marco em sua trajetória.

Natural de Manaus, Henrique participou da produção de diversas faixas do álbum, entre elas “Protector”, “Sweet Honey Buckiin”, “Bodyguard”, “Spaghettii”, “Ameriican Requiem” e “Blackbiird”. A conquista, além de consolidar seu nome na indústria global da música, também evidencia o alcance de talentos da região Norte em produções de repercussão mundial.

Em publicação nas redes sociais, o engenheiro destacou o significado pessoal e profissional de integrar um projeto premiado internacionalmente. “Fazer história com Beyoncé é um sentimento que não consigo colocar em palavras. Essa jornada me ensinou que nada supera a paciência e o trabalho duro, mesmo quando parece que o esforço não vai valer a pena”, escreveu.

O reconhecimento não foi isolado. Outros brasileiros também participaram do álbum, como os engenheiros de som Matheus Braz, do Rio de Janeiro, e Dani Pampuri, de São Paulo, reforçando a presença nacional nos bastidores de grandes produções internacionais.

Ao longo da carreira, Henrique Andrade já trabalhou com nomes expressivos da música mundial, como Justin Bieber, Bad Bunny, Zayn Malik e Raye, construindo um percurso marcado pela consistência técnica e pela inserção em projetos de grande visibilidade.

Para a professora de comunicação Cláudia Monteiro, da Wyden, conquistas como essa contribuem para ampliar a visibilidade da região Norte no cenário cultural internacional, além de provocar mudanças na forma como a Amazônia é percebida dentro e fora do país.

Segundo ela, o reconhecimento ajuda a desconstruir visões reducionistas sobre a região. “Esse prêmio atua positivamente no processo de desconstrução do imaginário internacional e até mesmo nacional acerca da região Norte. A região é muito estigmatizada pela Amazônia, uma verdadeira metonímia. A floresta acaba ‘engolindo’ toda a complexidade da sociedade nortista”, explica.

A docente ressalta que, embora exista orgulho da associação com a floresta, há também uma busca por reconhecimento em outras áreas. “O Norte quer ser visível por outros ângulos, como o da produção tecnológica para exportação e, principalmente, pela rica produção cultural”, afirma.

Nesse contexto, a trajetória de Henrique Andrade se torna também uma referência para estudantes e profissionais das áreas de comunicação, música e audiovisual. Para Cláudia Monteiro, o engenheiro representa um exemplo concreto de como a qualificação técnica pode abrir portas no mercado global.

“Henrique Andrade é um belo estudo de caso de como a competência técnica de um profissional, vindo de uma realidade periférica, pode ganhar evidência global. O sucesso dele não está ligado à sorte, mas ao trabalho e às conquistas ao longo da carreira”, destaca.

Ela também chama atenção para o papel essencial dos profissionais que atuam nos bastidores da música. “Beyoncé é uma diva, mas até ela reconhece o papel vital de produtores e engenheiros de som. São eles que garantem a qualidade técnica e ajudam a transformar a música em uma verdadeira obra de arte”, afirma.

Histórias como essa, segundo a professora, ajudam a aproximar sonhos da realidade de jovens brasileiros que desejam construir carreiras internacionais. “Quando um profissional brasileiro ganha destaque global, isso funciona como um ‘selo de qualidade’ e aproxima o sonho de outros jovens. Mostra que é possível transformar esse sonho em um plano de carreira”, conclui.