
O Cine Teatro Guarany, no Centro de Manaus, recebeu no último dia 11 de fevereiro a estreia do curta documental Tesouros da Manaus Moderna, primeiro filme dirigido pelo amazonense Delbson Barroso. A exibição reuniu equipe técnica, personagens retratados na obra e público interessado em rever, na tela, o cotidiano da feira que há décadas abastece a capital.
Delbson abriu a sessão destacando que o filme nasceu graças aos editais de fomento às produções locais. “Esse documentário é fruto de políticas públicas de incentivo à cultura, ao audiovisual. E é importante falar isso porque o Brasil ainda não conhece o Amazonas direito, ainda não conhece o Norte direito. É por meio de políticas públicas como essa que a gente tem estrutura para falar quem a gente é, sobre o nosso jeito, a nossa gente, os nossos costumes, a nossa culinária. É isso que ‘Tesouros da Manaus Moderna’ vem trazer”, disse.
Ao longo das gravações, Delbson conta ter percebido qual o verdadeiro patrimônio da cidade. “Talvez o nosso tesouro maior não esteja só nos cartões postais, mas nas mãos de pessoas que acordam três horas da manhã para fazer essa cidade acontecer, para preservar a nossa cultura, o nosso tucumã, o nosso jaraqui, o nosso bodó. Espero que, ao final, vocês não tenham só assistido a um documentário, mas reencontrado um pouco de quem nós somos’’, destacou.
Um dos personagens do filme, o feirante e marítimo Francisco Pereira Marques, de 63 anos, acompanhou a exibição pela primeira vez. Com 40 anos de atuação na Manaus Moderna, ele se viu na tela ao lado de colegas de trabalho. “Foi um privilégio imenso e muita felicidade me ver falando com meus amigos e mostrando um pouco do nosso trabalho, saindo do nosso anonimato”, disse.
Francisco relata que o público, muitas vezes, desconhece o caminho percorrido pelos produtos até chegarem às bancas. “As pessoas vão na Manaus Moderna e não sabem de onde vem o material que consomem, como chega dentro da feira. Eu consegui mostrar, através deles, de onde vem e como chega para as pessoas comprarem”, afirmou.
Natural de Oriximiná, no Pará, ele saiu de casa aos oito anos e construiu a vida entre rios e palcos. “Eu sou marítimo, piloto barco, sou cantor da noite há 35 anos. Tenho cinco discos. Já cantei muitas vezes na Manaus Moderna”, contou. Sobre a feira, ele resume que “o que tem de mais precioso lá são amizades’’.
O curta percorre histórias como a de Francisco para revelar a engrenagem humana que sustenta a feira, um dos principais pontos de abastecimento de pescado e produtos regionais de Manaus. Ao combinar depoimentos e cenas do cotidiano, o filme propõe um olhar sobre trabalho, identidade e pertencimento na capital amazonense, por meio das histórias de Antônia Suely da Cunha Vilena, Francisco Pereira Marques e Geibson Ricardo Braga.
Após a estreia, Tesouros da Manaus Moderna deve seguir o circuito de festivais de cinema no Amazonas e em outros estados. A produção também será disponibilizada gratuitamente ao público em breve, ampliando o acesso à obra.
O projeto foi viabilizado por meio do Edital Paulo Gustavo, lançado pela Prefeitura de Manaus, mecanismo de fomento que destinou recursos para produções culturais e audiovisuais na cidade. O evento de estreia teve o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.









