sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Uso incorreto de contraceptivo pode aumentar riscos à saúde; veja como escolher

Orientação profissional ajuda a identificar o método mais adequado e evitar contraindicações; preservativo também protege contra infecções sexualmente transmissíveis

Foto: divulgação/IA

Embora sejam métodos seguros e eficazes para prevenir a gravidez quando utilizados corretamente, os contraceptivos exigem atenção na escolha e no uso. Dependendo do método e das condições de saúde da pessoa, o uso inadequado pode reduzir a eficácia ou aumentar o risco de efeitos adversos, que vão de dor de cabeça, náusea e alterações de humor a complicações mais graves, como trombose.

Entenda como escolher

A farmacêutica Larissa Paiva, da rede Santo Remédio, explica que o primeiro passo é diferenciar as principais opções antes de procurar a drogaria. “Há contraceptivos que podem ser vendidos sem receita, como preservativos e a pílula do dia seguinte, e outros que exigem prescrição médica, como pílulas de uso contínuo, injeções, adesivo e anel vaginal”, explica.

Os preservativos são uma das opções mais acessíveis e, além de prevenir a gravidez, oferecem proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A camisinha externa e a interna estão disponíveis em farmácias sem exigência de receita. O Ministério da Saúde recomenda ainda a chamada dupla proteção, que consiste no uso do preservativo associado a outro método contraceptivo.

Já a pílula do dia seguinte é vendida sem receita no Brasil, mas seu uso deve ser pontual, reservado a situações como relação sexual sem proteção ou falha do método habitual, a exemplo do rompimento da camisinha. “Ela não é indicada como método contraceptivo de rotina, já que sua eficácia é menor que a dos métodos regulares e seu uso frequente pode causar alterações no ciclo menstrual”, alerta a farmacêutica.

Avaliação individual

Pílulas anticoncepcionais, injeções, adesivos e anel vaginal também são encontrados em farmácias, mas os contraceptivos hormonais são medicamentos sujeitos à prescrição. A escolha deve considerar fatores individuais, já que determinadas condições de saúde podem contraindicar alguns métodos ou exigir cuidados específicos.

“A pílula pode ser combinada, com estrogênio e progestogênio, ou apenas de progestogênio, opção que pode ser utilizada, por exemplo, durante a amamentação. A injeção tem versão mensal e trimestral, o adesivo é trocado uma vez por semana e o anel vaginal permanece inserido pelo período indicado para cada produto”, explica Larissa.

Por isso, a automedicação não é recomendada. O médico pode avaliar o histórico de saúde, fatores de risco e outras características individuais antes de indicar o contraceptivo mais adequado para cada pessoa.

“O farmacêutico não substitui a consulta médica, mas também pode esclarecer dúvidas sobre modo de uso, possíveis interações com outros medicamentos e sinais de alerta que exigem atenção”, afirma a profissional.

O cuidado é importante porque o uso incorreto também pode comprometer a proteção contra uma gravidez não planejada. Esquecimentos de doses, atrasos na aplicação ou utilização diferente da recomendada para cada método são situações que devem ser esclarecidas com um profissional de saúde.

Outros métodos

Além dos contraceptivos encontrados em farmácias, existem opções que dependem de inserção ou procedimento realizado por profissionais de saúde. Entre elas estão o DIU de cobre, o DIU hormonal e o implante contraceptivo, métodos reversíveis de longa duração e alta eficácia que não dependem de lembrança diária.

Há ainda métodos cirúrgicos definitivos, como laqueadura e vasectomia, destinados a pessoas que não desejam ter filhos no futuro e que seguem critérios específicos para sua realização.

Diante da variedade de opções, não existe um único contraceptivo adequado para todas as pessoas. A escolha deve levar em conta condições de saúde, rotina, preferência, possibilidade de uso correto e orientação profissional. Já o preservativo continua sendo recomendado mesmo quando outro contraceptivo é utilizado, por acrescentar proteção contra as infecções sexualmente transmissíveis.