quinta-feira, 30 de julho de 2026
TCE

17º Encontro de Manejadores e Manejadoras de Pirarucu debate proteção dos territórios e gestão ambiental no Médio e Alto Solimões

Evento reuniu comunidades, pesquisadores e instituições para discutir conservação, pesquisas científicas, vigilância ambiental e a entrega das autorizações de pesca para 2026

Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá

O Instituto Mamirauá realizou, em sua sede, em Tefé (AM), o 17º Encontro de Manejadores e Manejadoras de Pirarucu da Região do Médio e Alto Solimões, como parte das ações do Projeto Entre Águas Amazônicas. A iniciativa é financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e conta com o apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O evento reuniu mais de 160 representantes de comunidades manejadoras, pesquisadores e instituições parceiras para discutir estratégias de fortalecimento da conservação dos territórios de manejo e alinhar os preparativos para a temporada de pesca de 2026.

Realizado na última quinta-feira (23), na sede do Instituto Mamirauá, em Tefé (AM), o encontro apresentou pesquisas científicas e um novo sistema digital de vigilância ambiental. Ocorreu também a entrega das autorizações para a pesca manejada do pirarucu em 2026.

A programação incluiu apresentações de pesquisas e iniciativas relacionadas à cadeia produtiva do pirarucu. Entre os temas debatidos estiveram estudos sobre a vulnerabilidade da espécie diante de eventos climáticos extremos, como as secas registradas nos últimos anos na região, além da apresentação de equipamentos e estruturas de apoio à produção voltados à qualidade, segurança e rastreabilidade do pescado manejado.

Também foram discutidas estratégias voltadas à conservação ambiental e à proteção dos territórios onde o manejo é realizado.
Para a coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, Ana Cláudia Torres, o encontro representa o encerramento do ciclo de avaliação do manejo e o início do planejamento da próxima temporada.

” Vivemos a expectativa sobre os impactos que as condições climáticas podem trazer para a pesca. As águas seguem muito altas e ainda não é possível prever se teremos um cenário semelhante ao de 2023, 2024 ou 2025. Por isso, estamos trabalhando para minimizar esses impactos, antecipando as autorizações de pesca e avançando nas negociações para reduzir ao máximo os riscos inerentes às mudanças climáticas.”

Segundo a coordenadora, está prevista para 2026 uma redução da captura de peixes em relação à 2025, medida que busca adequar a oferta do produto às condições de comercialização.

“Essa diminuição não acontece por um mau desempenho dos grupos de manejadores , mas como uma estratégia para agregar valor ao produto e melhorar as condições de negociação, em vez de apenas ampliar o volume de produção.”

Outro tema abordado foi a atuação de instituições públicas na gestão ambiental e na implementação de políticas relacionadas à conservação dos recursos naturais. Representantes de órgãos ambientais e de secretarias municipais de meio ambiente participaram das discussões, apresentando informações sobre procedimentos, atribuições institucionais e formas de apoio às comunidades manejadoras.

Ao final do evento, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou a entrega das autorizações de pesca do pirarucu aos grupos manejadores.

Realizado anualmente, o encontro busca promover o intercâmbio de experiências entre os grupos de manejadores, o planejamento das atividades de manejo e o acesso a informações sobre pesquisas, projetos, políticas públicas e procedimentos operacionais relacionados à atividade.

Novo sistema digital para registro de ocorrências

Ao longo do dia, os participantes discutiram estratégias de vigilância e proteção das áreas de manejo, compartilhando experiências e desafios relacionados à conservação dos lagos e dos estoques naturais de pirarucu.

Nesse contexto, o Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá apresentou um método digital de registro de ocorrências, utilizado desde março de 2026, baseado em formulários eletrônicos elaborados no Google Forms.

De acordo com o técnico analista de pesquisa Jonas Batista, a ferramenta foi desenvolvida para reduzir o intervalo entre o registro das ocorrências e o compartilhamento das informações com os órgãos responsáveis pela fiscalização.

“Percebemos que os órgãos de fiscalização recebiam as informações muito tempo depois das ocorrências. Com o formulário digital, conseguimos compartilhar os registros praticamente em tempo real, permitindo que instituições como o Ministério Público, o Ibama, o IPAAM e a Sema tenham acesso às informações com mais rapidez e possam adotar as providências necessárias.”

Segundo o técnico analista de pesquisa Jonas, o formulário foi desenvolvido para ser utilizado diretamente pelo celular durante as atividades de vigilância, permitindo o registro da localização geográfica, fotografias e outras informações relacionadas às ocorrências.

Manejo sustentável

Desde 1998, o Instituto Mamirauá desenvolve pesquisas aplicadas ao manejo sustentável e participativo do pirarucu (Arapaima gigas) na Amazônia, integrando conhecimento científico e saberes tradicionais em atividades relacionadas à conservação da espécie e ao uso sustentável dos recursos pesqueiros.

Atualmente, mais de 200 comunidades do Médio e Alto Solimões participam das atividades de manejo em municípios como Uarini, Maraã, Fonte Boa, Jutaí e outras localidades da região. As atividades desenvolvidas incluem monitoramento dos estoques naturais, manejo participativo e acompanhamento das ações realizadas pelas comunidades.

Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Instituto Mamirauá está sediado em Tefé, no Amazonas.