
A campanha “Sociobio nas Urnas”, teve mais de 40 organizações da sociobioeconomia em seu lançamento, nesta semana, reunindo indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares em torno de 46 propostas concretas de políticas públicas para os candidatos das Eleições 2026, organizadas em oito eixos temáticos. O lançamento conta com o apoio de chefs de cozinha Rodrigo Oliveira (Mocotó), Bel Coelho, Neide Rigo, Adriana Salay, que assinam o documento reconhecendo a floresta em pé como fonte não apenas da culinária e identidade brasileira, mas de seu projeto de futuro.
Sob o chamado de “deixa a sociobio crescer”, a carta pede aos candidatos que assumam um compromisso público de criar ou modificar políticas para que a economia da sociobiodiversidade tenha acesso às mesmas condições de crédito, infraestrutura, políticas de fomento, regras sanitárias que os modelos produtivos convencionais já têm garantidos há décadas. Por exemplo, entre 2013 e 2025, 91,6% do crédito rural foi destinado a médios e grandes produtores, e só 8,4% para a agricultura familiar. No Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que é destinado justamente para os pequenos, R$ 151,7 bilhões para produção de commodities versus R$ 3,26 bilhões para sociobio entre 2020 e 2024 — uma diferença de 46,5 vezes.
“Há uma assimetria histórica nas políticas públicas, nos incentivos e nos recursos destinados aos diferentes modelos de uso da terra, e precisamos corrigi-la”, afirma Fabíola Zerbini, Diretora Executiva da Conexsus. “A sociobioeconomia é uma aposta de desenvolvimento econômico para o Brasil: gera renda e riqueza, conserva a biodiversidade e mantém serviços ambientais essenciais para toda a economia. Precisamos de políticas e incentivos à altura desse potencial. É um ganha-ganha para o país.”
A sociobioeconomia é o conjunto das economias de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares baseadas na diversidade, no conhecimento tradicional e na inovação, nos sistemas socioprodutivos locais e nos produtos e serviços gerados a partir de recursos da biodiversidade — conectados aos modos de vida, às práticas e saberes desses povos, e à melhoria da qualidade de vida e bem viver das comunidades em seus territórios e maretórios.
“A sociobioeconomia já existe, gera renda, trabalho e conserva os territórios, mas ainda enfrenta barreiras que limitam seu potencial. O que estamos propondo é que ela deixe de ser tratada como exceção e passe a ocupar o lugar que merece nas políticas de desenvolvimento do Brasil. Queremos que os candidatos reconheçam essa economia como estratégica e assumam compromissos concretos para fazê-la crescer”, diz a secretária-executiva do ÓSocioBio, Laura Souza.
Hoje, os territórios de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais cobrem cerca de ¼ do Brasil e mais da metade da Amazônia; é sobre essa base, e sobre os biomas que ela mantém em pé, que o setor se sustenta. Segundo estimativas do ÓSócioBio (Observatório das Economias da Sociobiodiversidade), essa economia movimenta hoje R$17,4 bilhões e 525 mil postos de trabalho.
Mas os benefícios da sociobioeconomia não ficam restritos a quem vive dela. Ela contribui concretamente para enfrentar o desmatamento, a mudança do clima e a desigualdade social, gerando emprego e renda, conservando e restaurando territórios e distribuindo riqueza. Como destaca o documento, a sociobio funciona, essencialmente, como a infraestrutura natural da economia brasileira: sustenta o regime de chuvas, a regulação climática, a fertilidade do solo e a polinização dos quais dependem setores inteiros, do agronegócio à energia hidrelétrica. Mais de 95% da área agrícola e 99% das pastagens do Brasil dependem da chuva regulada pela floresta (WRI).
“Nessas eleições, o que está em jogo é garantir que os povos e comunidades tradicionais e os agricultores e agricultoras familiares continuem vivendo e produzindo em seus territórios. Não tem sociobioeconomia sem território garantido”, diz Dione Torquato, secretário-geral do CNS (Conselho Nacional das Populações Extrativistas).
As organizações vão apresentar o documento aos candidatos ao longo da campanha eleitoral, coletando compromissos públicos que servirão de base para cobrança de mandato após a eleição.
O lançamento aconteceu de forma online pelo site sociobionasurnas.com.br, onde é possível ler a carta na íntegra, além das redes sociais das organizações que compõem o ÓSócioBio.
Candidatos podem assinar o compromisso público com a carta pelo link e pessoas físicas podem apoiar assinando o abaixo-assinado aqui.
Sobre a campanha
Sociobio nas Urnas 2026 é uma campanha suprapartidária do ÓSócioBio, rede composta por mais 40 organizações das economias da sociobiodiversidade. Com o lema “Deixa a sociobio crescer!”, a campanha pede compromisso dos candidatos deste ciclo eleitoral com destravar e adequar as políticas públicas para que os agentes da sociobioeconomia possam aprimorar cada vez mais seu modelo de desenvolvimento que distribui renda entre muitos enquanto conserva as riquezas naturais do nosso país.






