Zé Dirceu enfrenta Moro em inédito confronto na Lava-Jato

Os analistas que profetizaram a morte política do ex-ministro José Dirceu, preso pela segunda vez num espaço de 19 meses, entre 2013 e 2015, e apontado como responsável pelos dois maiores escândalos de corrupção na era democrática, erraram feio. O Dirceu que emergiu há duas semanas de um interrogatório gravado em vídeo e áudio a seu pedido, protagonizou o primeiro embate enfrentado pelo juiz Sérgio Moro e seus acusadores do Ministério Público Federal na operação que, de delação em delação, colocou poderosos empreiteiros de joelhos.

É um equívoco imaginar que o ex-ministro tenha sido derrubado ou que em algum momento vá jogar a toalha. Nas duas horas e 42 minutos de interrogatório, Dirceu só admitiu que cometeu crimes ao aceitar empréstimos suspeitos e deixar de declarar bens adquiridos. Sobre as outras acusações, explicou uma a uma, procurando desconstruir a relação entre seu trabalho como consultor e as propinas da Petrobras. Nem de longe parecia um réu às vésperas de uma nova sentença. Em vez de optar pelo silêncio garantido pela Constituição, ele falou, questionou e, por várias vezes, citou de cabeça detalhes dos autos para corrigir perguntas.