Janeiro Branco e inteligência emocional: cuidar da saúde mental começa pelo reconhecimento das emoções

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Melquides Felipe Gois Maia Neto

O mês de janeiro marca, no Brasil, a campanha Janeiro Branco, dedicada à conscientização sobre a saúde mental e emocional. Em um período tradicionalmente associado a recomeços, metas e expectativas para o novo ano, a campanha convida a população a refletir sobre a forma como tem cuidado de seus sentimentos, pensamentos e relações. Nesse contexto, a inteligência emocional surge como um elemento central para a promoção do bem-estar psicológico e da qualidade de vida.

Inteligência emocional pode ser compreendida como a capacidade de reconhecer, compreender e lidar com as próprias emoções, bem como perceber e respeitar as emoções do outro. Não se trata de evitar sentimentos difíceis, mas de aprender a nomeá-los, compreendê-los e regulá-los de forma saudável. Emoções como tristeza, raiva, medo ou frustração fazem parte da experiência humana e, quando ignoradas ou reprimidas, tendem a se manifestar de maneira desadaptativa, contribuindo para o adoecimento psíquico.

Em uma sociedade marcada por cobranças constantes, excesso de estímulos e valorização da produtividade, é comum que as pessoas tenham dificuldade em identificar o que sentem. Muitas vezes, o sofrimento emocional é silenciado, normalizado ou mascarado por comportamentos automáticos, como irritabilidade, ansiedade constante ou esgotamento. O Janeiro Branco propõe justamente o contrário: criar espaço para a escuta, para o diálogo e para o autoconhecimento emocional.

Desenvolver inteligência emocional implica aprender a pausar, refletir e observar as próprias reações diante das situações cotidianas. Significa compreender que emoções não são fraquezas, mas sinais importantes sobre nossas necessidades, limites e desejos. Ao reconhecer esses sinais, torna-se possível tomar decisões mais conscientes, estabelecer relações mais saudáveis e lidar melhor com conflitos, perdas e frustrações.

A Psicologia tem papel fundamental nesse processo. O acompanhamento psicológico oferece um espaço ético e seguro para que o sujeito possa compreender sua dinâmica emocional, ampliar o repertório de enfrentamento e desenvolver maior autonomia afetiva. A inteligência emocional não é uma habilidade inata ou imediata, mas algo que se constrói ao longo do tempo, por meio da escuta, da reflexão e do cuidado contínuo com a saúde mental.

Janeiro Branco também nos lembra que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo. Investir em inteligência emocional é investir em prevenção, qualidade de vida e relações mais empáticas. Em vez de promessas rígidas ou metas inalcançáveis, o início do ano pode ser um convite a olhar para dentro, reconhecer emoções e buscar apoio quando necessário. Afinal, saúde mental se constrói todos os dias, a partir da forma como nos relacionamos conosco e com o mundo.

Melquides Felipe Gois Maia Neto, psicólogo, mestre em Processos Psicológicos e Saúde pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Pesquisador do GePCa/LAPSAM–UFAM e professor do Centro Universitário Martha Falcão Wyden.