
A presença da inteligência artificial (IA) no cotidiano das empresas já é uma realidade no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 41,9% das companhias brasileiras afirmam utilizar algum tipo de tecnologia de IA em seus processos. Mas se a adesão tem sido grande, uma pesquisa de 2025 da consultoria Bain & Company revela o atual desafio: 39% dos executivos de empresas brasileiras dizem que a falta de expertise interna em IA tem atrasado a adoção do uso de novas tecnologias.
Professora do curso técnico em Informática do Centro de Ensino Técnico (Centec), Priscila Leylianne diz que essa transformação no mundo do trabalho tem levado a demanda por técnicos a novos níveis e ampliado o papel do setor de informática para além do suporte a máquinas. “O profissional agora passa a lidar com sistemas inteligentes, automação e análise de dados”, afirma.
Segundo ela, além dos conhecimentos tradicionais em hardware e redes, cresce a exigência por habilidades em programação — especialmente em linguagens como Python —, uso de serviços em nuvem, integração por meio de APIs (ponte de comunicação entre sistemas) e interpretação de dados.
“O mercado passou a exigir um profissional mais completo, que saiba programar, entender dados e, ao mesmo tempo, se comunicar bem e aprender sempre. Não é mais só consertar computadores, é compreender sistemas inteligentes”, explica a professora.
Formação
Nos cursos técnicos de informática, a inteligência artificial já começa a ser incorporada de forma transversal às disciplinas tradicionais. Programação, redes e banco de dados passam a incluir tópicos ligados à automação, ao uso de assistentes de código e à análise inteligente de informações, preparando o estudante para lidar com ferramentas que fazem parte da rotina profissional.
“A IA aparece integrada às disciplinas por meio de projetos com chatbots, uso responsável de IA generativa para produzir e revisar códigos, além de estudos de caso sobre ética, privacidade e segurança da informação”, destaca Priscila.
Para os estudantes que estão se formando, a orientação é investir em aprendizagem contínua, buscar cursos complementares em IA, ciência de dados e automação, dominar ao menos uma linguagem de programação moderna e compreender conceitos básicos de machine learning e computação em nuvem. Também é fundamental praticar o uso das ferramentas de IA no dia a dia, sempre com atenção à ética, à privacidade e à segurança da informação.
Além das habilidades técnicas, o desenvolvimento das chamadas soft skills também vem ganhando espaço como diferencial competitivo. Comunicação, trabalho em equipe, resolução de problemas e adaptabilidade são competências cada vez mais valorizadas em um mercado dinâmico e em constante transformação.
“O ponto primordial da profissão de tecnologia é se aprimorar de acordo com a inovação. Quem acompanha as transformações e aprende a trabalhar junto com a inteligência artificial se destaca no mercado”, conclui Priscila.









