segunda-feira, 6 de abril de 2026
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Saiba o que é pré-hipertensão e como prevenir agravamento da condição

Fase intermediária da pressão alta é silenciosa, amplia grupo de risco e exige mudanças de hábitos para evitar complicações cardiovasculares

Foto: Freepik

A hipertensão arterial, conhecida como pressão alta, atinge cerca de 27,9% da população brasileira, segundo o Ministério da Saúde (MS). Antes de chegar a esse estágio, porém, há uma fase intermediária chamada pré-hipertensão — considerada decisiva para evitar que o paciente desenvolva o quadro mais grave da condição. O maior risco é que esse período costuma ser assintomático, exigindo atenção redobrada.

Desde o ano passado, após uma diretriz apresentada no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, a pré-hipertensão passou a ser classificada por valores entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9 (120–139 mmHg sistólica e/ou 80–89 mmHg diastólica). A atualização amplia o grupo de pessoas em alerta e pode ajudar a conter o avanço da hipertensão no país, desde que medidas preventivas sejam adotadas de forma consistente.

Embora não seja considerada uma doença, a pré-hipertensão indica maior sobrecarga do sistema cardiovascular. Como geralmente não há sintomas evidentes, a condição costuma ser descoberta apenas em medições rotineiras. Ainda assim, pesquisas mostram que indivíduos nessa faixa apresentam maior probabilidade de desenvolver hipertensão arterial, além de complicações como infarto, acidente vascular cerebral e problemas renais.

Segundo o supervisor farmacêutico da rede Santo Remédio, Jhonata Vasconcelos, a abordagem inicial quase sempre envolve medidas não medicamentosas. “Na maioria dos casos, o tratamento começa com mudança de hábitos, principalmente alimentação equilibrada, redução do sal e prática regular de exercícios físicos”, afirma.

Uso de medicamentos

Em situações específicas, o uso de medicamentos pode ser indicado. De acordo com o farmacêutico, a prescrição ocorre quando o paciente apresenta alto risco cardiovascular ou convive com outras condições clínicas. “Os remédios só são recomendados por médicos quando o risco elevado se mantém, inclusive após mudanças no estilo de vida, ou quando o paciente já apresenta condições como diabetes ou doença renal associada”, explica.

Nesses casos, os fármacos mais utilizados costumam ser os diuréticos tiazídicos, como a hidroclorotiazida, e os bloqueadores do receptor de angiotensina, como a candesartana. Essas medicações ajudam a reduzir a pressão arterial e a diminuir a sobrecarga sobre o coração e os rins, sempre com acompanhamento médico.

A orientação dos especialistas é clara: o uso de medicamentos não substitui as mudanças no estilo de vida. Mesmo quando há prescrição, hábitos saudáveis seguem como parte central do tratamento. “O medicamento ajuda a controlar a pressão, mas sem alimentação adequada e atividade física o risco permanece”, reforça Vasconcelos.

Menos sal, mais exercício

Entre os fatores associados ao surgimento da pré-hipertensão estão o consumo excessivo de sódio e de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo, o excesso de peso, o uso frequente de bebidas alcoólicas, o tabagismo e o estresse prolongado. A predisposição genética também exerce influência, especialmente em pessoas com histórico familiar de hipertensão.

Diante desse cenário, as recomendações para prevenção incluem reduzir o consumo de sal, priorizar alimentos naturais, controlar o peso corporal e praticar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, como caminhadas ou ciclismo. O monitoramento regular da pressão arterial também é essencial para identificar alterações precoces e agir a tempo.