sexta-feira, 7 de agosto de 2026
TCE

Às vésperas do Dia dos Pais, Defensoria promove oficina sobre paternidade a partir da literatura para socioeducandos

Psicanalista e escritor Renato Estrela utilizou sua obra “Acerolas” para levantar reflexões sobre afeto, vínculos familiares e o significado da figura paterna com adolescentes do Dagmar Feitosa

Foto: Chris Nascimento/DPE-AM

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) realizou, nesta sexta-feira (7), mais uma edição do projeto “Ensina-me a Sonhar” no Centro Socioeducativo Assistente Social Dagmar Feitosa, situado no bairro Alvorada. Às vésperas do Dia dos Pais, o psicanalista e escritor Renato Estrela utilizou o livro infantil “Acerolas” para conduzir uma reflexão sobre vínculos familiares, afeto e paternidade.

Lançado recentemente durante a quarta edição do Festival Literário do Centro, o Flic, “Acerolas” nasceu da experiência pessoal de Renato ao acompanhar o pai, diagnosticado com demência. Inspirada nessa vivência, a obra mostra como gestos de cuidado e carinho permanecem vivos mesmo quando a memória começa a falhar.

Ao compartilhar a história que deu origem ao livro, o psicanalista conduziu uma conversa com a proposta de fazer uso da experiência pessoal para provocar reflexões sobre o significado da paternidade e mostrar que ela é construída nas escolhas do dia a dia.

“Pude compartilhar uma experiência que, apesar de dura, também é muito rica. A partir dela, conversamos sobre o que realmente significa ser pai. Não é, necessariamente, uma questão biológica, mas uma decisão diária. O mais importante é perceber que, independentemente do que cada um viveu até aqui, sempre é possível fazer escolhas mais conscientes para cuidar de si mesmo e das pessoas ao seu redor”, destaca.

A metáfora da acerola também inspirou a dinâmica realizada no encerramento da oficina. Em uma folha ilustrada com três frutos, os adolescentes foram convidados a recordar demonstrações de amor e afeto que receberam ao longo da vida. Em seguida, refletiram sobre aquilo que sentiram falta de viver. Na última acerola, escreveram de que forma desejam cuidar de si mesmos e das pessoas ao seu redor.

A reflexão despertou identificação em João*, que participa pela primeira vez do “Ensina-me a Sonhar”. Participativo e atento durante toda a atividade, o adolescente relata que é pai de um menino que completará um ano nos próximos dias.

Para ele, o encontro o fez pensar na relação que deseja construir com o próprio filho.

“Eu gostei muito do jeito que ele falou do pai e do filho dele, porque eu não tive um pai presente. Meu filho vai fazer um ano agora e eu fiquei pensando que quero sair daqui para ser um bom pai, estar presente, dar bons conselhos e entender o lado dele”, disse.

De acordo com o defensor público, Eduardo Ituassú, que coordena o projeto ao lado da defensoras Monique Cruz e Dâmea Mourão, a proximidade do Dia dos Pais tornou o encontro uma oportunidade para discutir o papel da figura paterna com os adolescentes a partir de uma abordagem sensível e acolhedora.

“Trouxemos o Renato porque a obra dele reúne uma experiência pessoal e também profissional. Queríamos provocar uma reflexão sobre o significado da figura paterna na vida desses adolescentes e mostrar que ser pai também é um exemplo de cuidado, responsabilidade e presença. Esperamos que eles levem essa mensagem para a vida e que a leitura continue despertando novas reflexões”, pontua o defensor Eduardo Ituassú.

Programa Ensina-me a Sonhar

Desenvolvido pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), o projeto “Ensina-me a Sonhar” promove atividades culturais, educativas e de formação cidadã com adolescentes do Centro Socioeducativo Assistente Social Dagmar Feitosa. A iniciativa reúne profissionais de diferentes áreas para estimular reflexões sobre direitos, relações humanas, autoestima e projetos de vida por meio da arte, da literatura e do diálogo.