Arnaldo Garcez estreia Introspecção no Manauara Shopping

Mesmo vivendo há quase três décadas no Rio de Janeiro, o pintor amazonense Arnaldo
Garcez permanece com fortes raízes fincadas no Amazonas. Conhecida figura da
boemia cultural manauara e carioca, Arnaldo volta à sua terra natal por conta de uma
exposição que é a antítese da vida noturna, dos encontros de artistas e da música,
outra paixão do artista.

“Introspecção”, que estreia nesta sexta-feira (15), no Manauara Shopping, retrata as
inquietações do artista durante o período mais agudo da pandemia de coronavírus,
quando ele – assim como tantos de nós – perdeu amigos e parentes. O próprio artista
foi acometido pela doença e chegou a ser internado. “Eu não podia pintar”, lamenta,
como se falasse da necessidade humana mais básica.

Com 36 quadros que evocam uma melancolia de cores fortes e profundas, a exposição
reflete as agonias de um momento dramático, que, coincidência poética ou não, muito
combina com as influências do expressionismo alemão que marcam fortemente o
trabalho do autor.

“Do nada, um vírus nos cinco continentes ao mesmo tempo. A gente nunca tinha visto
isso. Foi a busca de querer entender e traduzir isso. Tive a doença, perdi amigos, e, na
leitura que eu faço, posso dizer que fiz uma obra sincera, uma obra verdadeira”, diz
Arnaldo.

Do bico de pena à tela da TV
Com décadas de dedicação exclusiva às artes plásticas, Arnaldo Garcez já teve obras
expostas em centros de consumo cultural que são referência para o mundo da arte,
como Paris e Nova Iorque, além de outras cidades da Europa e dos Estados Unidos.
Começou desenhando com caneta de bico de pena, e teve sua primeira exposição na
Biblioteca Pública de Manaus, em 1977. “Eu era basicamente um desenhista”, disse
ele, que mais tarde iria estudar na Escola de Belas Artes Parque Laje, no Rio de Janeiro,
referência da arte brasileira.

No início dos anos 2000, Garcez teve sua trajetória impulsionada quando teve
reproduções de seus quadros – produzidas por ele mesmo – no cenário do
personagem de Tony Ramos na novela “Mulheres Apaixonadas”, um grande sucesso
da TV Globo. “Eles pediram autorização para copiar os quadros, mas o artista deles não
conseguiu copiar minha grafia, então passei a noite no Parque Lajes pintando as telas.
A gente era amigo dos vigias, aquela coisa. No dia seguinte, estava tudo pronto”, diz
ele.

Aquela havia de ser a primeira de 18 novelas em que aparecem obras do artista
plástico amazonense. Numa cena icônica de outro sucesso da Globo, “A Senhora do
Destino”, a inesquecível personagem de Renata Sorrah, a heterodoxa vilã Nazaré
Tedesco, rasga um dos quadros de Garcez, num de seus acessos de raiva. “Falei para a
pessoa que comprou essa obra (uma conhecida autoridade do mundo jurídico
amazonense): esse quadro vai valorizar muito”, disse o artista.

Serviço:
Exposição Introspecção de Arnaldo Garcez
Período: 15 a 27 de outubro de 2021
Local: Manauara Shopping – Piso Castanheiras, em frente à Ramsons
Entrada Gratuita

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