
Lucyane Mendes Silva
As férias são um dos momentos mais aguardados do ano. Seja para viajar, visitar familiares ou simplesmente descansar, esse período costuma representar uma pausa na rotina e uma oportunidade para aproveitar novas experiências. No entanto, enquanto planejamos roteiros, hospedagens e passeios, um aspecto muitas vezes acaba ficando em segundo plano: os cuidados com a saúde.
O aumento da circulação de pessoas em aeroportos, rodoviárias, hotéis, praias, rios, piscinas e outros espaços coletivos favorece a transmissão de doenças infecciosas. Somam-se a isso as mudanças de hábitos alimentares, o contato com diferentes ambientes e as condições climáticas típicas de muitas regiões brasileiras. O resultado é um cenário que exige atenção, mas que pode ser enfrentado com medidas simples de prevenção.
Entre os problemas mais frequentes estão as infecções respiratórias. Gripe, resfriado e COVID-19 continuam circulando e encontram facilidade para se espalhar em ambientes fechados, pouco ventilados e com grande concentração de pessoas. Embora a maioria dos casos apresente sintomas leves, algumas pessoas podem desenvolver complicações, especialmente idosos, crianças, gestantes e indivíduos com doenças crônicas. Manter a vacinação em dia, higienizar as mãos com frequência e priorizar locais bem ventilados são atitudes que continuam fazendo diferença.
Outro cuidado importante diz respeito à alimentação. Durante viagens é comum experimentar novos restaurantes, consumir alimentos em feiras ou realizar refeições em locais desconhecidos. Quando não há boas condições de higiene, aumentam os riscos de gastroenterites causadas por vírus, bactérias e outros microrganismos. Diarreia, vômitos e dores abdominais podem transformar dias de descanso em uma experiência bastante desagradável. Consumir água potável, observar a conservação dos alimentos e higienizar as mãos antes das refeições continuam sendo recomendações indispensáveis.
Nas regiões tropicais, outro desafio permanece em evidência: as arboviroses, como dengue, chikungunya e zika. As altas temperaturas e a presença de água parada favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, tornando o uso de repelente um item tão importante quanto protetor solar na bagagem. Além disso, eliminar possíveis criadouros e utilizar roupas que ofereçam maior proteção em áreas de risco ajudam a reduzir significativamente a exposição ao vetor.
Os ambientes aquáticos também merecem atenção. O contato prolongado com água, aliado ao uso de roupas molhadas por muito tempo, favorece o aparecimento de micoses e outras infecções de pele. Em áreas afetadas por enchentes ou onde exista possibilidade de contaminação da água, há ainda o risco de leptospirose, uma doença potencialmente grave. Secar bem o corpo após o banho, trocar roupas úmidas e utilizar calçados em locais de risco são medidas simples que contribuem para evitar esses problemas.
Vale lembrar que prevenção não significa abrir mão do lazer. Pelo contrário, ela permite que as férias sejam aproveitadas com mais tranquilidade e segurança. Pequenos cuidados incorporados à rotina fazem grande diferença na redução do risco de adoecimento e ajudam a preservar não apenas a saúde individual, mas também a coletiva.
A informação é uma das ferramentas mais eficazes da saúde pública. Conhecer as formas de transmissão das doenças, reconhecer seus principais sintomas e adotar hábitos preventivos são atitudes que contribuem para diminuir a circulação de agentes infecciosos e evitam complicações que poderiam ser facilmente prevenidas.
Viajar é descobrir novos lugares, criar memórias e renovar as energias. Para que essas lembranças sejam positivas, vale incluir na bagagem alguns itens essenciais: vacinação atualizada, repelente, álcool em gel, atenção à alimentação e consciência de que a prevenção continua sendo a melhor companheira de viagem.
Lucyane Mendes Silva é biomédica, doutora (PhD) em Medicina Tropical e docente da Wyden.









