quinta-feira, 3 de setembro de 2026
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FIEAM participa de ato entre IPAAM e Circula Brain para descarte de resíduos eletroeletrônicos no Amazonas

FIEAM apoia avanço da logística reversa de eletroeletrônicos no Amazonas

O Amazonas deu nesta terça-feira (1º) mais um passo para ampliar a logística reversa de resíduos eletroeletrônicos. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e a Circula Brain Plataforma Tecnológica de Economia Circular S/A assinaram, em Manaus, um acordo de cooperação que prevê a expansão dos pontos de coleta, campanhas de educação ambiental e o uso de tecnologia para rastrear o caminho dos equipamentos descartados. O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Nelson Azevedo, e a chefe de Gabinete Corporativo do Sistema FIEAM, Renée Veiga, participaram da solenidade.

Com vigência de cinco anos, o acordo prevê a implantação de novos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e o fortalecimento dos locais já existentes. A iniciativa busca ampliar a estrutura de coleta nos municípios do interior e facilitar o acesso da população ao descarte correto de equipamentos como celulares, computadores, impressoras, televisores, geladeiras e máquinas de lavar.

Segundo a Circula Brain, atualmente existem 147 pontos de descarte de eletroeletrônicos distribuídos pelos 62 municípios do Amazonas. A parceria pretende ampliar essa estrutura, com pontos físicos em municípios como Manaus, Coari, Itacoatiara, Manacapuru, Maués, Parintins, Tabatinga e Tefé.

“É algo histórico”, afirmou o diretor-presidente do IPAAM, Gustavo Picanço, durante a cerimônia. Ele destacou a criação da Gerência de Resíduos Sólidos do instituto e a importância de aproximar o órgão ambiental dos municípios para fortalecer ações de monitoramento, fiscalização e orientação.

Picanço também anunciou a disponibilização dos Centros Multifuncionais do Estado para funcionarem como pontos de coleta. A medida poderá ampliar a presença da logística reversa em áreas do interior onde ainda existem dificuldades de acesso a estruturas especializadas.

Para a assessora técnica da Gerência de Resíduos Sólidos do IPAAM, Mayara Barbosa, a parceria representa uma nova etapa da política de logística reversa no Estado. O Amazonas foi o primeiro estado da Região Norte a regulamentar o tema, por meio do Decreto nº 5.890, de 2024. “Esse é o início de uma construção conjunta”, disse Mayara. Segundo ela, além de ampliar a quantidade de pontos de entrega, será necessário informar a população sobre onde estão essas estruturas e sobre a forma correta de realizar o descarte.

O fundador e CEO da Circula Brain, Marcus Oliveira, chamou atenção para o volume de resíduos eletroeletrônicos gerado no país. Segundo dados apresentados por ele, o Brasil produz cerca de 2,4 milhões de toneladas desses resíduos por ano, enquanto menos de 5% são formalmente reciclados.

O desafio, porém, vai além do volume. Equipamentos eletrônicos podem conter materiais de valor, como ouro, prata, cobre e alumínio, além de substâncias potencialmente contaminantes. Quando descartados de forma inadequada, esses componentes podem provocar impactos ambientais. “Quanto mais a gente recicla, mais importante é”, afirmou Oliveira, ao defender a recuperação dos materiais e a redução da necessidade de extração de matérias-primas virgens.

O executivo também destacou a participação da FIEAM na iniciativa e o papel da entidade na aproximação com o setor industrial. “A presença da FIEAM aqui é fundamental para aproximar a indústria das soluções de gestão e destinação correta de resíduos. A Circula Brain apoia as empresas locais no cumprimento de suas responsabilidades ambientais, contribuindo para que esses materiais tenham uma destinação adequada e retornem à cadeia produtiva sempre que possível”, disse Oliveira.

A tecnologia será uma das principais ferramentas utilizadas na parceria. A plataforma da Circula Brain permite acompanhar etapas como coleta, transporte, processamento e destinação final, reunindo informações sobre os resíduos e os documentos que comprovam sua movimentação.

A empresa informou ainda que mantém cerca de 17 mil pontos de entrega no país e uma rede de recicladores homologados. Em 2025, a plataforma teria acompanhado mais de 77 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos reciclados no Brasil.

Para o consumidor, o descarte será gratuito. Equipamentos menores, de até 30 quilos, poderão ser levados aos pontos de entrega. Para itens maiores, como geladeiras e máquinas de lavar, haverá a possibilidade de solicitar coleta domiciliar. A localização dos pontos e as orientações para o descarte poderão ser consultadas por meio da plataforma da Circula Brain.

Além da coleta, o acordo inclui campanhas de comunicação e educação ambiental e o Projeto Multiplicadores Circulares, que prevê a formação on-line de agentes capazes de disseminar informações sobre reciclagem de eletroeletrônicos em escolas, condomínios, empresas, municípios e comunidades.

A expectativa dos parceiros é que a iniciativa torne o descarte de equipamentos eletrônicos mais acessível no Estado e, ao mesmo tempo, amplie o reaproveitamento de materiais que podem retornar à cadeia produtiva. “Nós temos muito mais a caminhar do que caminhado”, resumiu Mayara Barbosa ao falar sobre os desafios da logística reversa. Para ela, o acordo assinado nesta terça-feira representa um dos primeiros passos para ampliar e consolidar essa política no Amazonas.

Pontos de entrega

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