
A FPFtech (Fundação Desembargador Paulo Feitoza) levou para a ExpoPIM 4.0, realizada nos dias 18, 19 e 20 de março de 2026, em Manaus, uma amostra do seu Parque Tecnológico, com suas principais frentes de atuação, apresentando ao público suas soluções em inovação, saúde digital, inteligência artificial e formação tecnológica, tudo em um estande que recebeu mais de mil visitantes por dia de evento. Durante os três dias, a proposta foi demonstrar, na prática, como o Parque Tecnológico da FPFtech integra pesquisa, capacitação e desenvolvimento de tecnologias aplicadas à indústria e à sociedade.
Para o CEO da FPFtech, Luís Braga, a ExpoPIM 4.0 foi uma oportunidade estratégica para evidenciar a capacidade tecnológica da região e o impacto das iniciativas desenvolvidas na Amazônia. Segundo Braga, eventos desse porte ajudam a mostrar que a Zona Franca de Manaus também é um polo de inovação e desenvolvimento tecnológico.
“A ExpoPIM está sendo uma feira extremamente importante, primeiramente para a nossa região. Toda vez que temos a oportunidade de mostrar o que temos aqui em termos de tecnologia, desenvolvimento regional e negócios, precisamos aproveitar. Muitas pessoas nem sequer imaginam o que existe aqui. É uma oportunidade de mostrar que somos, sim, um polo de tecnologia, de bionegócio e de inovação”, afirmou.
Braga destacou ainda que a FPFtech reúne diferentes estruturas dentro de um mesmo ecossistema, como instituição de ciência e tecnologia, escola técnica, faculdade, incubadora e centro de inovação, agora consolidados como o primeiro Parque Tecnológico da região Norte. “Tudo isso está acontecendo aqui e a feira nos dá a oportunidade de mostrar ao grande público como esses recursos se transformam em emprego, capital intelectual e inovação para a região”, completou.
Projetos com inteligência artificial e impacto social
Entre os destaques do estande esteve o KDoctor, projeto que utiliza telemedicina e inteligência artificial para ampliar o acesso à saúde em comunidades remotas da Amazônia. A solução inclui um totem capaz de coletar sinais vitais e realizar triagens médicas, com envio dos dados para atendimento remoto. De acordo com o Product Owner da FPFtech, Ueliton Rodrigues, a proposta é usar a tecnologia como extensão da capacidade humana, especialmente em áreas de difícil acesso.
“O projeto KDoctor tem o intuito de levar saúde às comunidades mais distantes da Amazônia. O totem faz a coleta dos sinais e envia os dados para um médico remoto, que realiza a consulta por telemedicina. Temos também inteligência artificial embarcada e até tradução para a língua Hãtxa Kuin, falada pelo povo Huni Kuin, permitindo que a consulta aconteça de forma fluida”, explicou.
Segundo ele, a iniciativa já conta com três unidades instaladas no município de Jordão, no Acre, e apresenta potencial de expansão para outras regiões isoladas do país. O projeto também prevê conectividade via satélite e autonomia energética por meio de usinas solares, o que amplia a escalabilidade da solução.
Startup nascida no Parque Tecnológico
Outra atração foi a LLENO, startup incubada na WIT, e apresentada como exemplo da jornada de formação e inovação dentro da instituição. O agente de inteligência artificial desenvolvido pela empresa integra diferentes sistemas empresariais e automatiza tarefas operacionais diretamente pelo WhatsApp. Um dos fundadores da startup e estagiário da FPFtech, Dário Alef, destacou que o projeto surgiu a partir da formação técnica dentro da fundação e evoluiu com o apoio da incubadora tecnológica.
“A startup que desenvolvi dentro do Parque Tecnológico, o LLENO, começou no curso técnico, passou pelo NCIA (iniciativa de formação em IA apoiada pela empresa Foxconn) e pela WIT Incubadora. Hoje avançamos com esse projeto conectando vários sistemas externos através de um agente de inteligência artificial no WhatsApp, automatizando o operacional das empresas”, adiantou.
Segundo Dário, a ferramenta resolve um problema comum entre empreendedores, que precisam lidar com múltiplos aplicativos e tarefas administrativas. “A gente conecta Gmail, Google Drive, atendimento ao cliente e outros serviços em um único agente. O empreendedor ganha tempo para focar no negócio”, explicou.
Dário também destacou a receptividade do público durante a ExpoPIM. “A experiência tem sido fantástica, principalmente com pessoas da área de tecnologia, que ficam fascinadas com a capacidade do agente de conectar serviços e resolver problemas reais”, disse.
Educação e transformação digital
Além das soluções tecnológicas, a FPFtech apresentou sua frente educacional, com programas de capacitação voltados à indústria 4.0 e à formação de profissionais para o ecossistema de inovação, incluindo a sua Faculdade e Ensino Médio Técnico. O estande também contou com a participação de startups incubadas na WIT, incubadora tecnológica da fundação. Para a diretora de Tecnologia da FPFtech, Andréia Vieira, a presença na ExpoPIM teve como objetivo mostrar o papel da instituição no fortalecimento do ecossistema regional.
“A FPFtech participa da ExpoPIM 4.0 para demonstrar sua atuação na elevação do ecossistema de inovação da região. Estamos mostrando soluções que auxiliam a indústria no processo de transformação digital e também nossas competências educacionais, com capacitações que elevam o nível de maturidade das pessoas para trabalharem com essas tecnologias”, afirmou.
Ela também ressaltou a importância da incubadora na geração de novos negócios. “Estamos em um estande com startups da WIT, que fomentam a região com novos empregos e oportunidades”, completou.
Inteligência artificial aplicada à indústria
A programação do estande também incluiu demonstrações sobre o uso de inteligência artificial na manufatura, com foco na coleta e análise de dados fabris. O professor e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Sandro Breval Santiago, destacou em seu Tech Talks que as tecnologias apresentadas apontam caminhos para a transformação digital do Polo Industrial de Manaus.
“Estamos falando de inteligência artificial no setor produtivo, utilizando dados da manufatura para melhoria de processos e eficiência. A ideia é facilitar o acesso às informações, inclusive por canais como o WhatsApp, aproximando dados e tomada de decisão”, explicou.
Segundo ele, iniciativas como as apresentadas na ExpoPIM contribuem para criar massa crítica em inovação e fortalecer o setor industrial regional. “Temos muitas iniciativas que devem gerar resultados fantásticos. O evento ajuda a mostrar isso e a consolidar a inovação no setor”, avaliou.
As mini palestras abordaram ainda assuntos relevantes para o setor, como a ”Tecnologia como agente de transformação na Indústria 4.0”, conduzida pelo Doutor em Ciência em Engenharia de Produção, o professor Manuel Cardoso e ”O Papel da Educação Tecnológica no Desenvolvimento da Indústria Local”, do diretor educacional da FPFtech, Niomar Pimenta. O papel da Inteligência Artificial no PIM também foi abordado pelo coordenador do NCIA, Ítalo Cailari, em seu Tech Talks, enquanto Olinda Canhoto, da WIT Incubadora falou de ESG como agente estratégico para o desenvolvimento de soluções sustentáveis na Amazônia.
Ainda no universo da Inteligência Artificial, Yuri Veríssimo, Analista de Negócios da WIT se propôs a desmistificar a IA e ofereceu práticas para impulsionar carreiras por meio dessa ferramenta. O painel ficou completo com os analistas de Sistemas da FPFtech, Marco Rezende e Ítalo Silva, que falaram, respectivamente, sobre Big Data e tomada de decisões na Indústria, e transformação da mobilidade elétrica no setor.
A FPFtech também avança no uso de Gêmeos Digitais, com projetos que criam versões virtuais de ambientes, equipamentos e processos reais. Na área de Indústria 4.0, a FPFtech apresentou na ExpoPIM um projeto de monitoramento e controle remoto baseado no uso de Gêmeos Digitais. A iniciativa integra um mecanismo acionado por servo motor a uma representação virtual da máquina real, permitindo acompanhar o funcionamento em tempo real e realizar ajustes à distância. A conexão entre o equipamento físico e o modelo digital amplia a precisão das operações, facilita a tomada de decisões e demonstra, na prática, como a tecnologia pode aumentar a eficiência e o controle de processos industriais.









