O início do ano político de fato, que tradicionalmente só ocorre após o Carnaval, havia sido morno. A sensação geral em Brasília era de que o debate sobre o impeachment tinha esfriado devido ao recesso parlamentar e a uma decisão do Supremo Tribunal Federal favorável à presidente Dilma Rousseff no final de 2015, na qual a corte determinou regras para o processo.
Muitos já previam, no entanto, que a continuidade da Operação Lava Jato – que investiga o esquema de corrupção na Petrobras – e da deterioração da economia reacenderiam a discussão sobre o afastamento da petista. Os eventos dos últimos dias foram muito negativos para o governo e, embora o desfecho da crise política ainda esteja em aberto, tiveram a força de realimentar a disputa em torno do impeachment, afirmam analistas políticos.
A “semana negra” terminou com uma grande ação da Polícia Federal contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a ser conduzido coercitivamente para um depoimento. O líder petista é investigado por supostamente ter sido favorecido por empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras com doações para seu instituto, contratações em palestras e reformas de imóveis. Lula nega e diz que não é dono das propriedades investigadas.
Para “piorar”, a ação da PF veio apenas um dia depois de outras bombas terem atingido o governo. Na quinta-feira, reportagem da revista IstoÉ divulgou o conteúdo de uma delação atribuída ao senador Delcídio Amaral (PT-MS) com graves acusações de que Dilma e Lula tentaram intervir na Lava Jato. No mesmo dia, o IBGE divulgou queda de 3,8% do PIB em 2015, o que representa a pior crise econômica em duas décadas.
E as más notícias não param por aí: a semana havia começado o anúncio da troca do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, homem de confiança de Dilma, por um nome desconhecido nacionalmente, o procurador baiano Wellington César – indicado pelo titular da Casa Civil, Jaques Wagner.
E se alguém acreditava que as coisas não poderiam piorar mais, na noite de sexta uma liminar da Justiça de Brasília suspendeu a nomeação de César sob a justificativa de que, por exigência constitucional, ele teria de se desligar do Ministério Público para assumir o cargo.









