Dezenas de enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros trabalhadores contratados pela empresa Salvare, para serviços terceirizados fizeram uma paralisação, ontem pela manhã, na Unidade de Pronto-Atendimento Campos Sales (UPA), no bairro do mesmo nome, na zona leste de Manaus, por falta de pagamento de salários. A UPA Campos Sales é uma das unidades de saúde do Estado que eram geridas pelo Instituto Novos Caminhos, acusado de desviar R$ 112 milhões da Saúde do Amazonas.
Portando cartazes criticando o desrespeito e dizendo ‘fora Salvare’, os trabalhadores exigiram da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e do Governo do Amazonas uma solução para os problemas financeiros que vêm enfrentando por atrasos nos salários. A Salvare era uma das empresas contratadas pelo Instituto Novos Caminhos, de acordo com a Polícia Federal, usadas para desviar recursos públicos.
Os pacientes que estiveram na UPA Campos Sales tiveram que procurar atendimento em outras unidades de saúde, por causa da paralisação. Crianças e adultos deixaram de ser atendidos.
A Susam informou que a unidade funcionou normalmente e que está buscando, junto à Justiça, uma forma legal para realizar o pagamento dos trabalhadores da Salvare e das outras empresas envolvidas na operação Maus Caminhos que tiveram suas contas bloqueadas pela Justiça Federal.
De acordo com a operação Maus Caminhos, o dinheiro desviado da Saúde garantia vida de ostentação e possibilitava a aquisição de bens móveis e imóveis de alto padrão, como mansões, veículos importados de luxo e até mesmo um avião a jato e um helicóptero.
O grupo criminoso driblava os procedimentos licitatórios do setor de Saúde estadual e contratava empresas prestadoras de serviços utilizadas para desviar valores a serem investidos no atendimento à população. Somente nos últimos dois anos, o INC recebeu R$ 220 milhões do governo estadual.









