quarta-feira, 18 de março de 2026
TCE

“Vai ter COP em Belém, não tem plano B”, diz diretor do Ministério das Relações Exteriores, em Manaus

COP30 quer deixar legado também na área de tecnologia; Conferência do Clima de Belém será oportunidade para escalar soluções digitais e inovadoras

Foto: divulgação

O diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Ministério das Relações Exteriores, Eugênio Garcia, afirmou que a COP30, conhecida como a conferência da implementação, quer garantir esse espírito também na área de tecnologia. Segundo ele, a digitalização será um dos temas centrais da presidência brasileira da COP. “Esta será a COP do mutirão, em que todos colocam a mão na massa para apresentar soluções de impacto concreto, também, na área de tecnologia. Nossa meta é trazer soluções já existentes e escalá-las”, afirmou Garcia.

Garcia foi um dos painelistas no evento Amazon On, realizado em Manaus na última semana. O diretor apresentou iniciativas que estão sendo desenvolvidas especialmente para a COP30. Entre os exemplos práticos, citou a Maloca, um multiverso digital que permitirá acompanhar as atividades da COP30 sem a necessidade de deslocamento até Belém; o Uirapuru, aplicativo desenvolvido no Brasil para que delegados dos países acompanhem agendas e eventos em tempo real; e o Macauzinho, chatbot especializado em mudanças climáticas que reunirá todos os documentos oficiais da conferência. Para ele, as soluções tecnológicas podem ajudar a COP 30 a superar desafios como a questão da falta de hospedagens a preços justos. “Vai ter COP, sim, e vai ser em Belém, não tem plano B”, afirmou.

O diretor reforçou ainda que o Brasil tem condições de liderar a agenda que conecta transição energética e transição digital. “Quando falamos em descarbonização, também estamos falando em digitalização e energia limpa, de fontes sustentáveis”, disse.

O diretor executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), Fabro Steibel, defendeu o fortalecimento de uma agenda específica de tecnologia da COP 30, partindo da proposta brasileira de “mutirões” para conectar desafios e, principalmente, soluções em toda a região. Ele acredita que, apesar das polêmicas, a COP da Amazônia será um sucesso.

Steibel observou ainda que o Brasil estará à frente da COP até a conferência de Bonn, em 2026, o que dá ao país um ano para implementar sua agenda e demonstrar liderança. “Todas as COPs foram estranhas, Belém também vai ser. Mas é um estranhamento bom, onde você encontra muitas pessoas interessadas e descobre muitas coisas. E seis meses depois tem outra conferência, em Bonn, mais direcionada, em que teremos mais capacidade de contribuir”, destacou.

Além de Garcia e Steibel, o painel contou com a moderação de Alexandre Moraes, assessor da Anatel, e a participação de Larissa Jales, gerente de políticas públicas e assuntos regulatórios da GSMA América Latina, e Johannes Klingberg, diretor de projeto da Sociedade Alemã para a Cooperação Internacional (GIZ).

Evento na 2ª edição

A segunda edição do Amazon On 2025 reuniu mais de 700 participantes, entre pesquisadores, gestores públicos, representantes de organismos internacionais e empresas de tecnologia, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, dias 20 e 21 deste mês. Ao longo de dois dias, o encontro promoveu painéis, debates e oportunidades de parceria em torno da tecnologia e do desenvolvimento sustentável da região amazônica.

Idealizado pela MMoreira Consult, o evento conta com o apoio de instituições como a Anatel, Aneel, Rede Amazônica, Abinee, Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Governo do Estado do Amazonas, Banco Mundial e BID, além do patrocínio de empresas como Prates Navegação e Logística, Manaós Telecom, MDC Conteiners Inteligentes, Ozônio, HMN Tech, Brisanet, Ecoa e Click Ip.