
O cheiro de alecrim e ervas naturais que sai dos sabonetes artesanais de Flaudiza Batalha Bastos, de 62 anos, carrega mais do que fragrância. Foi no artesanato que ela encontrou uma forma de superar um período de depressão e voltar a se sentir ativa, vendendo seus produtos no Centro de Artesanato do Millennium Shopping, na zona Centro-Sul de Manaus.
Natural de Anamã, no interior do Amazonas, a aposentada mora há quatro anos em Manaus e conta que começou a fazer sabonetes em casa, inicialmente apenas para presentear familiares e amigos. Mas tudo mudou quando ela descobriu, quase por acaso, o Centro de Artesanato do Millennium Shopping.
“Certo dia eu vim trazer minha irmã aqui. Aí eu entrei para procurar um alecrim e perguntei para a moça como funcionava, e ela explicou que era o Projeto Cuidado para pessoas idosas. Eu disse: poxa, se eu pudesse entrar… Eu disse que fazia sabonetes e perguntei como poderia participar. Elas anotaram meu número e, três dias depois, me ligaram”, relembra dona Flaudiza.
Antes de entrar para o projeto, a aposentada conta que enfrentava um período difícil. “Eu já fiz várias coisas de artesanato na minha vida. Mas aí eu fui morar sozinha e eu estava com uma depressão. Comecei a orar e a fazer sabonetes em casa. Fazia e dava para minha família”, lembra.
O que começou como uma forma de ocupar a mente acabou abrindo um novo caminho para a aposentada. Desde outubro do ano passado, Flaudiza passou a integrar o grupo de artesãos que participa do espaço no shopping. Atualmente, nove pessoas fazem parte da iniciativa no local, cada uma desenvolvendo um tipo diferente de artesanato.
Entre os produtos estão sabonetes, bijuterias, bonecas e peças inspiradas em manifestações culturais, como o boi-bumbá. Assim como Flaudiza, os demais artesãos produzem as peças de forma artesanal, geralmente em casa, e levam os produtos ao espaço para venda durante o horário de funcionamento do shopping.
A coordenadora de marketing do Millennium Shopping, Elizandra Xavier, destaca que o espaço vai além da comercialização de produtos e tem um papel social ao valorizar histórias de vida por trás das peças artesanais.
“Quando a gente conhece a trajetória de artesãos como a dona Flaudiza, entende que o artesanato não é só um produto exposto na vitrine. É também uma forma de recomeço, de autoestima e de pertencimento. Para nós, é muito importante abrir esse espaço para que essas pessoas possam mostrar seu talento, gerar renda e se sentir novamente ativas e valorizadas”, afirma.
Mesmo aposentada, Flaudiza diz que o projeto representa muito mais do que uma renda complementar. O trabalho também trouxe motivação e convivência. “É uma forma de continuar ativa e fazendo o que eu gosto”, afirma.
O Centro de Artesanato reúne artesãos que trabalham com diferentes técnicas e peças feitas à mão, valorizando a produção local e ajudando a gerar renda para os participantes.









