quinta-feira, 23 de abril de 2026
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Castanha em pó: Bioeconomia amazônica reinventa frutos amazônicos em alimentos inovadores

Já imaginou consumir frutas amazônicas em pó, em pães ou sobremesas? Essa inovação já é realidade e une biodiversidade e tecnologia para transformar o futuro da alimentação

Foto: divulgação

A castanha, o cupuaçu, o açaí e o tucumã são ícones da Amazônia já aparecem em versões em pó. O tucumã, famoso no X-Caboquinho, surge em lascas — também liofilizadas, processo que garante a qualidade e a segurança alimentar destes alimentos. A inovação amplia o uso desses ingredientes e abre oportunidades de renda para povos amazônidas.

Técnicas como a liofilização têm ampliado o potencial da biodiversidade regional ao permitir que alimentos típicos da Amazônia sejam desidratados sem perder suas principais características. O resultado: são produtos mais fáceis de transportar, armazenar e aplicar em diferentes preparações e o mais importante: além de ao ampliar a vida útil e cria possibilidades de comercialização.

Essas soluções vêm sendo desenvolvidas no âmbito do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), uma agenda de pesquisa, desenvolvimento e inovação vinculada à Suframa/MDIC e coordenada pelo Idesam. A iniciativa vem consolidando a bioeconomia como um vetor estratégico de desenvolvimento sustentável na região, conectando ciência, tecnologia e mercado.

Os resultados já mostram a dimensão desse movimento: com investimentos que somam cerca de R$ 196 milhões, o programa conecta empresas, 19 Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), startups e comunidades locais para fortalecer cadeias produtivas da sociobiodiversidade em estados da Amazônia Ocidental e no Amapá. Atualmente, reúne 51 negócios incentivados e já apoiou o desenvolvimento de mais de 240 soluções inovadoras, entre produtos, processos e serviços, além de contribuir para a geração de mais de 800 empregos.

Da floresta para a cozinha

Um dos destaques desse movimento é a liofilização, técnica que remove a água dos alimentos por meio de congelamento seguido de desidratação a frio. Diferente de métodos convencionais, o processo não utiliza altas temperaturas, o que ajuda a preservar nutrientes e características sensoriais como sabor, cor e aroma.

Na prática, isso significa que frutos como buriti, tucumã e cupuaçu podem ser transformados em pós versáteis ou em lascas como o buriti, forma tradicional como é consumido, que, ao serem reidratados, recuperam textura e propriedades muito próximas às do alimento in natura. Além disso, a técnica dispensa o uso de conservantes químicos, alinhando inovação tecnológica a uma proposta de alimentação mais natural.

Entre os destaques, preparações como pão de buriti, biscoito de cupuaçu e creme de macaxeira com tucumã mostraram como esses ingredientes podem ser incorporados ao cotidiano, agregando valor à produção local e ampliando o uso da biodiversidade regional.

A aplicação vai além da cozinha regional: os produtos também têm potencial para mercados como alimentação saudável, panificação e até a alta gastronomia, abrindo novas oportunidades de negócios para a Amazônia.

“A ideia foi mostrar, na prática, como esses ingredientes podem fazer parte do dia a dia, de forma simples e inovadora”, explica Expedito Moura, do Idesam, que participou da organização da atividade.

Para quem quiser experimentar na prática, algumas receitas já estão disponíveis nos sites das startups Amazônia Smartfood e Terramazônia. As sugestões utilizam ingredientes da região liofilizados, em pó ou em lascas, e podem ser acessadas em: https://www.amazoniasmartfood.com/receitas e https://www.terramazonia.co/blog/.

Sobre o PPBio

O Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) é dedicado a transformar conhecimento em soluções para interiorização e agregação de valor para a bioeconomia da Amazônia, integrando projetos voltados ao desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) na região. Idealizado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e coordenado pelo Idesam, tem o intuito de captar recursos de investimentos obrigatórios da Lei de Informática para gerar novos produtos, serviços e negócios da bioeconomia amazônica.

Para mais informações, acesse: http://bioeconomia.org.br/

Sugestões de receitas com ingredientes amazônicos liofilizados

Durante a Expopim 4.0, realizada em março, em Manaus, o público pôde conhecer, na prática, aplicações de ingredientes amazônicos liofilizados em diferentes preparações. As receitas evidenciam a versatilidade de ingredientes como buriti, tucumã, cupuaçu e castanha-da-Amazônia no dia a dia e na gastronomia regional. Os pratos foram preparados pela chef Renata Peixe-boi. Contato: [email protected], telefone (92) 98136-3123.