quarta-feira, 8 de julho de 2026
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Sete a cada 10 brasileiros sofre algum tipo de gastrite; veja os riscos da automedicação

Foto: Magnific

Dor, queimação, náuseas, indigestão e desconforto abdominal. Esses sintomas fazem parte da realidade de milhões de brasileiros que convivem com a gastrite, inflamação da mucosa do estômago que pode ter diferentes causas e níveis de gravidade. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), cerca de sete em cada 10 brasileiros sofrem com algum tipo da doença.

Por ser tão comum, é frequente que muitas pessoas — inclusive aquelas sem diagnóstico confirmado — recorram a antiácidos ou protetores gástricos para aliviar os sintomas. Enquanto os antiácidos neutralizam o excesso de ácido no estômago, os protetores gástricos reduzem sua produção ou ajudam a proteger a mucosa do órgão, diminuindo a irritação.

Embora possam ser adquiridos sem prescrição, esses medicamentos devem ser utilizados com cautela. O farmacêutico Alessandro Braga, da rede Santo Remédio, explica que eles podem aliviar sintomas ocasionais, mas não devem substituir a avaliação médica quando o desconforto se torna frequente.

“O risco de se automedicar com frequência é o paciente tomar o remédio, a dor passar e ele acreditar que o problema está resolvido. Mas a gastrite pode ter causas variadas, desde o uso de anti-inflamatórios até a presença da bactéria H. pylori, e cada caso exige uma conduta diferente, que depende de avaliação médica”, afirma.

A preocupação ganha ainda mais relevância diante do hábito de automedicação no país. Uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) revelou que nove em cada dez brasileiros utilizam medicamentos sem prescrição. Segundo o levantamento de 2024, a prática é mais comum para sintomas como dores de cabeça, gripes, resfriados, febres e dores musculares. No entanto, também ocorre diante de queixas gastrointestinais, o que pode atrasar o diagnóstico correto de doenças que exigem acompanhamento especializado.

Outro ponto de atenção é o uso contínuo de medicamentos como os inibidores da bomba de prótons, frequentemente indicados para reduzir a acidez estomacal. “Esses remédios são eficazes, mas o uso prolongado e sem necessidade pode interferir na absorção de nutrientes e até mascarar problemas mais sérios”, destaca Alessandro Braga.

Sinais de alerta

Alguns sintomas não devem ser ignorados nem tratados apenas com medicamentos de venda livre. Dor persistente, perda de peso sem explicação, vômitos com sangue, fezes escuras e dificuldade para engolir são sinais que exigem investigação médica.

“Se esses sintomas aparecerem, a orientação é procurar um médico imediatamente. Eles podem indicar quadros mais graves, que vão muito além de uma gastrite comum”, alerta o farmacêutico.

Ele reforça que o uso de qualquer medicamento para gastrite, mesmo os de venda livre, deve ser acompanhado de orientação profissional.

“Na farmácia, podemos orientar sobre o uso correto dos medicamentos e os riscos de interações medicamentosas. Mas o ideal é sempre buscar avaliação médica quando os sintomas persistem, retornam com frequência ou se agravam”, acrescenta.

A boa notícia é que a gastrite também pode ser prevenida por meio de mudanças de hábitos. Entre as principais recomendações estão evitar o consumo excessivo de álcool, cafeína e alimentos muito gordurosos ou condimentados, não fumar, reduzir o estresse, manter horários regulares para as refeições e evitar longos períodos de jejum.

Além disso, é importante utilizar medicamentos como anti-inflamatórios apenas com orientação profissional e procurar acompanhamento médico ao perceber sintomas recorrentes. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado continuam sendo as formas mais seguras de evitar complicações e preservar a saúde digestiva.