
Na contramão do mercado global, o Brasil registrou em 2025 o maior volume de consumo de vinho da sua história. Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o país consumiu 4,4 milhões de hectolitros no ano passado, um crescimento de 41,9% em relação a 2024. O avanço ocorre em um cenário oposto ao consumo mundial, que apresentou retração de 2,7%.
A mudança de comportamento dos consumidores também já é percebida em Manaus. No Grupo Engenho, responsável por restaurantes como o Terra & Mar, na zona Centro-Sul da capital, o interesse crescente pelos vinhos tem impulsionado investimentos em rótulos selecionados, incluindo vinhos portugueses e experiências de harmonização. Entre os rótulos trabalhados pelo grupo estão vinícolas portuguesas, como a Cadeado.
Segundo o sócio-fundador do Grupo Engenho, Rogério Perdiz, o público local tem demonstrado mais interesse pela origem dos vinhos, pelas harmonizações e por novos sabores. Ele conta que a relação com os vinhos portugueses começou há cerca de dez anos, em viagens a Portugal para seleção de rótulos alinhados à proposta da cozinha do grupo. A partir dessa experiência, o Engenho passou a atuar como uma ponte, aproximando esses vinhos do público amazonense.
“Nos últimos anos, percebemos uma mudança importante no perfil do consumidor. O manauara está mais curioso e mais confiante. Ele pergunta, compara, pede indicação, quer entender uva, região, harmonização. A gente vê muita gente saindo do ‘vinho de sempre’ quando sente que tem orientação e contexto”, disse Perdiz.
De acordo com a OIV, além do aumento do consumo, o Brasil também ampliou sua área de vinhedos pelo quinto ano consecutivo, alcançando 91 mil hectares em 2025.
No restaurante Terra & Mar, a cultura do vinho ganhou espaço especialmente por meio dessa ponte que o grupo faz com os rótulos portugueses. Entre os vinhos que vêm conquistando os clientes está o vinho verde, produzido exclusivamente no norte de Portugal. Conhecido pela leveza e refrescância, ele tem encontrado no clima amazônico um ambiente favorável ao consumo.
“Pelo clima quente da região, o consumo de bebidas mais leves, refrescantes e com menor teor alcoólico faz muito sentido. O vinho verde é fácil de beber, tem acidez equilibrada e traz uma sensação de frescor que combina muito com o nosso ambiente. Além disso, harmoniza muito bem com peixes, frutos do mar e pratos mais leves do dia a dia”, explica Rogério.
A proposta, segundo ele, vai além da ampliação da carta de vinhos e busca aproximar o público de uma tradição cultural que faz parte da gastronomia portuguesa.
“Quando falamos de vinho, falamos de cultura, de história e de identidade. A nossa intenção não é só oferecer o produto, mas proporcionar uma vivência. Traduzimos essa conexão com Portugal de forma acessível, sem elitizar, para que mais pessoas possam experimentar”, ressalta.
Para o empresário, o crescimento do consumo de vinho no Brasil mostra que a bebida deixou de ser associada apenas a ocasiões especiais e passou a integrar cada vez mais a rotina dos consumidores — movimento que tende a fortalecer o segmento gastronômico nos próximos anos.
Além da presença dos vinhos no cardápio dos restaurantes, o Grupo Engenho também comercializa os rótulos em suas unidades, com venda de garrafas para consumo no local ou para levar. Os produtos estão disponíveis no Engenho Cozinha Brasileira (Manauara Shopping e Shopping Ponta Negra), O Boteco (Amazonas Shopping e Sumaúma Park Shopping), além do Terra & Mar e do Sagrado Peixe.









