
Suplementos voltados para energia e desempenho físico estão cada vez mais presentes nas prateleiras de farmácias e lojas especializadas. O relatório Global Wellness Economy Monitor indica que o setor movimenta atualmente cerca de US$ 6,3 trilhões no mundo e pode atingir US$ 8,9 trilhões até 2028.
Para quem frequenta academia ou busca mais disposição no dia a dia, as opções são variadas. No entanto, o consumo sem orientação pode trazer mais riscos do que benefícios.
Nessa categoria, a cafeína é o estimulante mais consumido do mundo. Em formato de suplemento, ela é utilizada para reduzir a percepção de fadiga, aumentar o estado de alerta e melhorar o desempenho em atividades de resistência.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite a comercialização de suplementos com até 420 mg de cafeína por porção diária, mas é preciso atenção. A farmacêutica da rede FarmaBem, Daniela Reis, explica que a indicação de uso deve ser individualizada.
“A cafeína pode ser uma aliada para quem pratica atividade física regular, mas pessoas com pressão alta, arritmia cardíaca ou ansiedade devem evitá-la ou consultar um médico antes de usar. A sensibilidade a essa substância varia muito entre os indivíduos”, afirma.
Outro suplemento bastante popular é a creatina, um composto produzido naturalmente pelo organismo e armazenado nos músculos. Em sua forma suplementar, ela auxilia na regeneração do trifosfato de adenosina (ATP), principal molécula de energia celular utilizada em esforços de alta intensidade e curta duração, como musculação e sprints.
Estudos publicados no Journal of the International Society of Sports Nutrition apontam que a suplementação de creatina pode aumentar a força muscular em até 8% e a potência em exercícios explosivos em até 14%, quando combinada com treinamento resistido.
“A creatina não é indicada para pessoas com doença renal crônica ou histórico de problemas nos rins, porque ela aumenta a carga de filtração renal. Grávidas, lactantes e crianças também devem evitar”, orienta Daniela.
Combinações
Os pré-treinos costumam reunir cafeína, beta-alanina — aminoácido que ajuda a retardar a fadiga muscular — e outros estimulantes. Apesar da popularidade, o consumo excessivo pode provocar taquicardia, insônia, aumento da pressão arterial e até dependência.
Daniela Reis alerta que a combinação de substâncias nesses produtos exige atenção redobrada. “Muita gente não lê o rótulo e acaba consumindo doses muito acima do recomendado, especialmente quando utiliza mais de um suplemento ao mesmo tempo. Isso eleva o risco de efeitos adversos sérios”, explica.
Outro grupo que exige cautela é o dos termogênicos, produtos que elevam a temperatura corporal para acelerar o metabolismo e favorecer a queima de gordura. Entre os ingredientes mais comuns estão extrato de guaraná, pimenta caiena e sinefrina. O uso prolongado, sem acompanhamento profissional, pode sobrecarregar o sistema cardiovascular.
Gestantes, lactantes, crianças, adolescentes e pessoas com doenças crônicas devem evitar essas substâncias.
A automedicação com suplementos, inclusive, é um risco subestimado. Ao contrário do que muitos acreditam, o fato de um produto ser vendido sem receita não significa que ele seja isento de efeitos adversos.
Daniela Reis reforça o papel da orientação profissional nesse processo. “O farmacêutico pode ajudar a identificar qual suplemento faz sentido para o objetivo de cada pessoa, verificar possíveis interações com medicamentos de uso contínuo e indicar a dosagem correta. Esse suporte faz diferença na segurança do uso”, conclui.









